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Não moradores enfrentam primeiro dia sem gratuidade nos ônibus de São Caetano

População diverge opiniões sobre a nova medida; valor cobrado para residentes de outras cidades passa para R$ 5

15/07/2026 | 14:37
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Letreiro eletrônico já mostra novo valor de R$ 5 FOTO: André Henriques/DGABC
Letreiro eletrônico já mostra novo valor de R$ 5 FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os usuários de ônibus em São Caetano que residem fora da cidade enfrentaram, nesta quinta-feira (15), o primeiro dia com pagamento de passagem em R$ 5. Com a nova medida, somente moradores do município foram beneficiados com o Novo Tarifa Zero.

De acordo com a administração municipal, até a última segunda-feira (13), 60.327 pessoas haviam feito o cadastro no sistema. Desse total, 52.459 moradores tiveram as solicitações aprovadas e já estão aptos a utilizar o benefício.

No primeiro dia, os coletivos já estavam equipados com o novo preço. Papéis impressos ou letreiros eletrônicos alertavam a população sobre o custo.

O ajudante de pedreiro e morador da Zona Sul da Capital, Henrique Castro, 32 anos, faz alguns serviços na cidade são-caetanense. Para ele, a medida é válida para desafogar a lotação. “Acho mais justo para quem mora aqui continuar não pagando e para quem é de fora pagar. Mas os contratantes devem pagar o trajeto, faz parte”, comentou.

Também morador da Capital, Marcus Vinícius Mendonça, 24, acompanha o relato de Castro. “Também achei justo, porque em todos os lugares (o coletivo municipal) é pago. Me prejudicou, mas é algo que entendo. A única coisa que eu queria é que retornassem as rotas antigas”, disse o estagiário.


Diante dos pedidos, a Prefeitura de São Caetano retomou os antigos itinerários dos ônibus. As linhas 01, 02 e 03, Bairro Santa Maria, Bairro Nova Gerty e Bairro Barcelona, por exemplo, voltarão a trafegar pela Avenida Tereza Campanella, retomando o que era feito.

Já a mauaense e auxiliar de cozinha, Arlene de Oliveira, 48, achou a decisão errada, já que vai prejudicar muitos trabalhadores que vêm de fora, segundo ela. “Vejo muitas reclamações de moradores por ter bastante gente de fora, mas acham que estamos passeando. Estamos fazendo progresso na cidade, fazer o que, vou ter que pagar”, afirmou Arlene.

O jovem aprendiz no bairro Boa Vista, José Mauro Queiros, 15, mora em Mauá e andava de coletivo todos os dias, agora vai passar a ir até o local de trabalho a pé. "Eram uns 20 minutos da estação (Terminal Rodoviário). Agora, vou precisar sair bem mais cedo de casa para chegar, porque vou a pé", contou.


O Novo Tarifa Zero também gerou divergências entre os próprios moradores. O metalúrgico Anderson Honorato, 43, nasceu na cidade e utiliza o transporte diariamente. Para ele, a administração municipal acertou na decisão. “Foi bom, moro aqui, mas trabalho no bairro Ipiranga (Capital). Quando retorno, por volta das 16h30, não tinha condições, via até acidentes por conta da lotação. Muitas pessoas de fora utilizavam o serviço até metade do caminho para não pagar e isso prejudicava aqui”, falou o metalúrgico.

Já o especialista contra incêndio e também residente, João Almeida, 57, afirmou que a medida gerou confusão. “Não chegou até mim, por exemplo. Acredito que quando você classifica, deixa um pouco mais regional, mas certo não é. Transporte é direito de todos, não só aqui. São Caetano estava dando exemplo para o Brasil”, relatou Almeida.

Até o momento, cerca de 20 mil pessoas retiraram o cartão exclusivo para utilizarem as linhas municipais. Para quem não teve a retirada do documento executada, mas possui o cadastro aprovado para o benefício da gratuidade, continuará com acesso aos ônibus sem pagar tarifa. A informação é da Prefeitura, que definiu uma regra de transição válida até o dia 25.


Segundo o Paço, para embarcar de graça nesse período, o usuário deve apresentar ao motorista o e-mail de aprovação da solicitação, que contém o nome do morador e o número do protocolo, além de um documento original com foto, como RG ou CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

Os moradores de São Caetano que ainda não se cadastraram podem fazê-lo pelo site https://sancagov.saocaetanodosul.sp.gov.br.

Mesmo para quem é de fora, a gratuidade continuará para alguns grupos, como, por exemplo, pessoas com 60 anos, pacientes oncológicos da rede pública e estudantes matriculados em unidades de ensino em São Caetano.

Como mostrado pelo Diário, em junho deste ano, o sistema gerou aumento de 300% no número de passageiros. Segundo o governo do prefeito Tite Campanella (Republicanos), o volume saltou de 20 mil para 80 mil pessoas diariamente, muito à frente da crescente de 50% estimada pela antiga gestão de José Auricchio Júnior (PSD).

Em nota, a administração municipal ressaltou que cerca de 50% dos usuários do sistema de transporte coletivo municipal não eram moradores de São Caetano. Além disso, a Prefeitura estima economizar R$ 15 milhões por ano ao reduzir os custos com o retorno das tarifas desse público.

“Com a diminuição de demanda por conta da gratuidade apenas a moradores, foi possível remanejar alguns veículos de uma linha para outra para atender uma demanda maior e é a ideia de aumentar o número de ônibus ofertados para atender melhor e com mais agilidade a demanda dos moradores”, comunicou o município.

“Nosso objetivo é muito simples, voltar a ter o transporte público com qualidade, dignidade e segurança para o morador de São Caetano, que é para quem trabalhamos”, ressaltou o prefeito.

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DGABC



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