Avaliação Hatch elétrico reúne bom pacote e pegada esportiva contra BYD e GWM; modelo tem tração traseira e autonomia superior a 360 km
FOTO: Vagner Aquino/DGABC

Há pouco tempo o mercado brasileiro de zero-km estava bastante escasso de hatches. Os médios, por exemplo, haviam praticamente sumido. Mas, com a chamada invasão chinesa, a coisa mudou de figura. Isso, porque as fabricantes começaram a apostar neste nicho e oferecer opções bem interessantes (e elétricas) ao consumidor. O primeiro a chamar a atenção do mercado foi o BYD Dolphin. É tanto que o modelo já figura entre os carros mais vendidos do país. Porém, entre tantos outros que chegaram de lá para cá, um exemplar ainda pouco conhecido, mas que merece atenção, é o MG4.
Sabendo que enfrentaria modelos de peso, o novato chegou no fim do ano passado apenas na opção de topo XPower. Logo na sequência, passou a oferecer outras duas versões, mais baratas, porém, com tração traseira. E foi com a opção intermediária Luxury, que custa R$ 189.800, que o Diário passou alguns dias. Olhares pelas ruas, para quem vê de fora, e comodidade, para quem está a bordo, não faltaram.

Breve histórico
Antes de falar do carro em si, cabe contextualizar brevemente a história da marca. A MG, para quem não se lembra, é uma fabricante inglesa, fundada em 1924. Depois de diferentes controladores, encerrou sua produção no Reino Unido em 2005. Anos depois, foi adquirida pela chinesa Nanjing Automobile e, posteriormente, incorporada à estatal SAIC Motor, que reposicionou a MG como uma fabricante global de veículos eletrificados.
No Brasil, a MG teve presença marcante entre as décadas de 1940 e 1970 com esportivos importados e até inspirou réplicas nacionais. Quem não se lembra do MP Lafer, por exemplo? A marca teve, ainda, uma breve passagem por aqui no comecinho dos anos 2010. Mas os carros de visual ousado e cores chamativas não foram adiante. Agora - mais precisamente, em novembro do ano passado -, a MG Motor retorna oficialmente ao mercado e oferece uma linha de veículos elétricos. Até já prometeu produção nacional do MG4 Urban e do MGS5, no Ceará, até o fim do ano.
O MG4
O desenho é um dos principais atrativos do MG4. Um ímã de olhares no trânsito. Tem linhas angulares, dianteira limpa, faróis totalmente iluminados por LEDs e lanternas interligadas por um conjunto de elementos tridimensionais. O hatch chama bastante atenção por onde passa, justamente porque foge do estilo mais conservador e arredondado de alguns concorrentes. O modelo intermediário tem rodas de liga leve de 18 polegadas e spoiler traseiro separado em duas peças, o que reforça a identidade esportiva do hatch.
As dimensões são generosas, principalmente no entre-eixos. Afinal, a moda chinesa é oferecer carros que rendam boa dose de conforto aos ocupantes. São, em números, 4,29 metros de comprimento, 1,84 metro de largura, 1,52 metro de altura e entre-eixos de 2,71 metros - só aqui, são 5 centímetros a mais que os principais rivais. Parece pouco, mas, no dia a dia, ajuda bastante, principalmente para quem senta no banco de trás. No porta-malas, vão 350 litros.
Por dentro do carro
No interior, o ambiente aposta no minimalismo - típico dos veículos elétricos chineses. No entanto, não é disfuncional, pois o painel conta com alguns poucos botões. Dá para mexer no som e no ar-condicionado por meio de teclas, por exemplo. O painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas faz as honras da casa em conjunto com a central multimídia de 12,8 polegadas, que concentra praticamente todos os comandos do veículo. A lista contém Apple CarPlay e Android Auto sem fio, sistema de navegação, carregador por indução para smartphones e câmera 360 graus.

A versão Luxury não oferece teto solar. Fez falta. Mas tem acabamento sofisticado, saídas de ar-condicionado embutidas e bancos com forração premium (couro artificial). E não há descansa-braço atrás. Tem aquecimento para os assentos dianteiros, e o do motorista conta com ajuste elétrico. Para ajudar na ergonomia, tem volante (revestido com couro) com regulagem de altura e profundidade.
Mecânica e eletrônica
Debaixo do assoalho está a bateria de 64 kWh, responsável por alimentar um motor elétrico traseiro de 190 cv e 35,7 mkgf de torque. A configuração de tração traseira, aliás, é um diferencial em relação à maioria dos concorrentes, que têm tração dianteira. O conjunto permite aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 7,2 segundos. O carro garante respostas rápidas, porém, nada que se compare à aceleração em 3,8 segundos do modelo topo de linha, com tração integral e potência de 435 cv. A velocidade máxima do MG4 Luxury é de 160 km/h.
A autonomia também aparece entre os pontos positivos do hatch. Pelo ciclo do Inmetro, são 364 quilômetros de alcance com apenas uma carga completa. O sistema, cabe pontuar, aceita recarga rápida em corrente contínua de até 140 kW, permitindo recuperar de 30% a 80% da bateria em cerca de 29 minutos. É rápido, o difícil é encontrar infraestrutura disponível no Brasil. Esse ainda é um ponto de rejeição ao carro elétrico no país, diga-se.
Se por um lado carro elétrico demora a carregar, por outro, diverte quem está ao volante. No MG4, surpreende a condução equilibrada. Com centro de gravidade baixo, resultado do posicionamento da bateria sob o piso, o carro reduz a inclinação da carroceria nas curvas. É boa a sensação de estabilidade. A direção (elétrica) tem ótimas respostas, assim como os freios (a disco nas quatro rodas). Porém, o traseiro é ventilado só na opção de topo.
Ainda na mecânica, ponto para o conjunto de suspensões. A dianteira utiliza arquitetura McPherson, enquanto a traseira adota o sistema multilink. Resultado: acerto como poucos e absorção das (várias) irregularidades do asfalto. Por outro lado, não abre mão da firmeza necessária. É, sem dúvidas, um dos elétricos mais agradáveis de conduzir em seu segmento.
Direção semiautônoma
Como manda a tradição chinesa, o pacote de segurança acompanha a proposta tecnológica do modelo. Entre os equipamentos estão controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência e centralização em faixa, monitoramento de ponto cego, assistente de congestionamento, seis airbags, controle eletrônico de estabilidade e sistema One-Pedal, que aumenta a regeneração de energia e reduz o uso do pedal de freio no trânsito urbano. Mas, embora haja quem curta, atrapalha demais a condução dirigir com apenas um pedal.
A versão Luxury se posiciona como uma opção para quem busca um hatch elétrico de perfil mais sofisticado e voltado ao prazer de dirigir. Além de ser bonito, a combinação de tração traseira, suspensão multilink, ampla lista de equipamentos e boa autonomia faz do MG4 um dos lançamentos mais interessantes da nova fase das marcas chinesas no Brasil e mostra que "sair da casinha" pode valer a pena.
FICHA TÉCNICA
MG4 Luxury
Motor: elétrico, traseiro
Potência: 190 cv
Torque: 35,7 mkgf
Capacidade da bateria: 64 kWh
Tempo de carregamento (DC 30 a 80%): 29 minutos
Comprimento: 4,29 metros
Largura: 1,84 metro
Altura: 1,52 metro
Entre-eixos: 2,71 metros
Porta-malas: 350 litros
Peso em ordem de marcha: 1.765 kg
Aceleração de 0 a 100 km/h: 7,2 segundos
Velocidade máxima: 160 km/h
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