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Escala 6x1 e realidade das estradas

José Ronaldo Marques da Silva
15/07/2026 | 09:25
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O debate sobre a escala 6x1 é legítimo. No transporte rodoviário de cargas, porém, essa discussão precisa partir de uma premissa básica: a realidade das estradas é diferente da vivida em escritórios, fábricas ou estabelecimentos comerciais.

Nesse contexto, a declaração do ministro George Santoro, de que os motoristas profissionais possuem legislação própria de jornada e poderão permanecer submetidos às regras já previstas em lei, acrescenta elemento importante ao debate. Ao reconhecer as particularidades da categoria, o ministro reforça que o tema deve ser analisado a partir das características concretas do setor.

Os motoristas de cargas já seguem normas específicas sobre tempo de direção, pausas obrigatórias e períodos de descanso, criadas para reduzir a fadiga, ampliar a segurança viária e garantir condições adequadas de trabalho. Por isso, qualquer mudança nas relações trabalhistas precisa respeitar a dinâmica da logística rodoviária, responsável pela maior parte do transporte de mercadorias no País.

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Também é importante observar que o setor evoluiu nos últimos anos. Empresas estruturadas ampliaram os investimentos em controle de jornada, monitoramento das viagens e mecanismos de conformidade para assegurar o cumprimento da legislação. Irregularidades ainda existem e devem ser combatidas, mas já não representam a realidade predominante das organizações comprometidas com a segurança e a valorização dos profissionais.

Ao mesmo tempo, fortalecer a segurança depende da atuação conjunta de empresas e trabalhadores. Cabe ao empregador organizar jornadas compatíveis com a legislação. Ao motorista, planejar as viagens, respeitar os períodos de descanso e adotar práticas responsáveis durante a condução.

Outro desafio é enfrentar o uso de estimulantes de forma mais ampla. O problema não se resume ao rebite, mas envolve organização das viagens, gestão do tempo, conscientização e valorização da profissão. Investir em capacitação permanente, saúde ocupacional, educação financeira e planejamento de carreira contribui para escolhas mais equilibradas e para uma atividade mais segura.

A discussão sobre a escala 6x1 deve continuar, mas representa apenas uma parte dos desafios do transporte rodoviário de cargas. Construir um setor mais seguro e competitivo exige equilibrar direitos, produtividade e proteção à vida, respeitando as particularidades de uma atividade essencial para o abastecimento do País e para o funcionamento da economia brasileira.

José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, é presidente do Sinaceg (Sindicato Nacional dos Cegonheiros). Diumar Bueno é presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos.




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