Palavra do Leitor
DGABC

Copa e os favoritos
‘Após eliminação da Copa do Mundo, Vini Jr. desabafa nas redes sociais: Sensação de frustração’ (www.dgabc.com.br). Disputada desde 1930, a Copa do Mundo, principal torneio de futebol masculino, teve apenas oito países campeões: Brasil (5 títulos); Alemanha e Itália (4 títulos); Argentina (3 títulos); Uruguai e França (2 títulos); e Inglaterra e Espanha (1 título). Das campeãs citadas, algumas já foram eliminadas, mas parece que esta Copa de 2026 é mesmo de zebras!
Tania Tavares
Capital
Religião e poder
Há uma passagem em Mateus 23 que nunca fez tanto sentido quanto hoje. Jesus olha para os fariseus e mestres da Lei e diz: “Façam o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem.” A crítica não era à religião, mas à hipocrisia. Àqueles que impunham fardos aos outros, buscavam aplausos, exibiam santidade por fora, mas por dentro estavam cheios de orgulho, falsidade e sede de poder. É justamente isso que vejo crescer em parte do discurso religioso atual. Não me assusta a fé, nem o conservadorismo. O que assusta é a instrumentalização da religião para controlar pessoas, dividir a sociedade e justificar autoritarismos. São os que se apresentam como donos exclusivos da verdade, desqualificam quem pensa diferente, demonizam outras crenças e transformam o Evangelho em plataforma política. Fala-se muito em “Deus, Pátria e Família”, mas pouco se vive o Cristo que acolhia, perdoava, defendia os marginalizados e confrontava os hipócritas. O slogan permanece; Jesus desaparece. A história ensina que toda vez que religião e poder caminharam sem limites, a liberdade foi a primeira vítima. A fé deixa de libertar e passa a servir ao domínio. Gilead não nasce de um dia para o outro; ela começa quando a religião deixa de apontar para Deus e passa a apontar para quem deseja governar em Seu nome. Defender um Estado laico, a liberdade religiosa e o respeito às diferenças não é ser contra o cristianismo. É impedir que o nome de Cristo seja usado como instrumento de manipulação. Porque o maior inimigo do cristianismo nunca foi quem não acredita em Jesus. Sempre foi quem usa Jesus para alcançar o poder.
Siomara Ferres
São Caetano
Vazamento de dados
Quando jornalistas pedem acesso a informações públicas, o governo logo ergue a bandeira do sigilo para proteger os seus dados. Mas basta um ataque cibernético para que os prontuários e informações pessoais de 500 mil pacientes da rede pública parem nas mãos de criminosos. Pelo visto, o sigilo funciona muito melhor contra a imprensa do que contra hackers. Entre os dados expostos estão históricos médicos, exames, internações e informações de milhares de crianças e idosos. A pergunta é inevitável: quem protegerá esses brasileiros? Ou a privacidade só merece atenção quando serve de argumento para negar transparência? Agora entra em cena a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), instaurando um processo sancionador depois que o estrago já foi feito. Ótimo. Mas a população esperava que a agência evitasse esse tipo de desastre, não apenas contabilizasse os prejuízos. No Brasil, o cidadão entrega seus dados ao Estado acreditando que estarão seguros. Descobre, tarde demais, que o verdadeiro sigilo parece ser apenas o da responsabilidade por mais esse fracasso. Como sempre, só depois da porta arrombada é que se coloca o cadeado.
Luciana Lins
Campinas (SP)
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