Pagamentos Santo André, São Bernardo, Diadema e Ribeirão Pires têm quedas nos valores pendentes de restos a pagar em 2026; Mauá apresenta leve subida
Celso Luiz/DGABC

Cinco prefeituras do Grande ABC reduziram, juntas, em 72% o estoque de restos a pagar desde o início de 2025. O passivo, formado por despesas empenhadas e ainda não quitadas, caiu de R$ 1,06 bilhão para R$ 297 milhões entre o início dos atuais governos municipais e os levantamentos mais recentes das administrações. Das sete cidades consultadas, apenas Mauá registrou crescimento no passivo, enquanto São Caetano e Rio Grande da Serra não informaram os dados financeiros.
O maior recuo foi registrado no governo do prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (Cidadania), ao reduzir os restos a pagar de R$ 437,3 milhões para R$ 42,8 milhões, queda de 90,2% dos débitos. A administração andreense atribui o resultado ao cumprimento das amortizações, parcelamentos e demais obrigações financeiras, em linha com a política de equilíbrio das contas públicas adotada desde o início da gestão.
Além da redução nominal dos débitos, Santo André também teve alívio no impacto sobre a RCL (Receita Corrente Líquida), principal indicador da capacidade de arrecadação dos municípios. Em 2025, os valores de resto a pagar comprometeram 11,95% perante um saldo de R$ 3,6 milhões, mas no atual exercício, o percentual caiu para 1,07% diante dos R$ 4 milhões calculados.
Em São Bernardo, a gestão do prefeito Marcelo Lima (Podemos) reduziu os restos a pagar de R$ 376,7 milhões para R$ 110,4 milhões, retração de 70,7% no período. Segundo a administração, os pagamentos dos compromissos são dentro dos prazos legais, refletindo a normalidade da execução financeira. O governo também relaciona o desempenho à elevação da nota da Capag (Capacidade de Pagamento), da Secretaria de Tesouro Nacional, que passou de C para B+, e à conquista do Selo Caixa Gestão Sustentável.
Assim como em Santo André, São Bernardo também reduziu a pressão na RCL com os restos a pagar. O indicador caiu de 6,91% para 1,91%, acompanhando a redução do estoque de despesas pendentes e o crescimento da arrecadação municipal.
Por sua vez, Diadema encolheu de R$ 108,3 milhões para R$ 15,2 milhões o saldo de restos a pagar, redução de 86%. A Prefeitura, comandada por Taka Yamauchi (MDB), atribui o resultado à quitação das obrigações pendentes e ao processo de reorganização das finanças públicas, que também permitiu ao município obter a CRP (Certidão de Regularidade Previdenciária).
O reflexo também foi observado sobre a receita corrente líquida. Em Diadema, os restos a pagar representavam 6,19% da RCL no início de 2025 e passaram a comprometer apenas 0,78% da arrecadação no levantamento mais recente.
Ribeirão Pires reduziu o estoque de débitos perante os fornecedores de R$ 26,8 milhões para R$ 4 milhões, queda de 85%. De acordo com a administração do prefeito Guto Volpi (PL), o resultado decorre principalmente da liquidação das despesas nos meses posteriores à inscrição dos empenhos, dentro da estratégia de reorganização das contas municipais. O comprometimento da receita corrente líquida também apresentou recuo: passou de 5,40% para 0,71%.
Na contramão, Mauá foi a única a registrar crescimento no estoque de restos a pagar. Segundo o governo, os valores passaram de R$ 111,6 milhões para R$ 124,5 milhões, aumento de 11,5%. Apesar da elevação, a gestão do prefeito Marcelo Oliveira (PT) ressalta que o comprometimento da receita corrente líquida permaneceu praticamente estável, passando de 6,89% (R$ 1,6 bilhão), para 6,82% (R$ 1,8 bilhão), em razão do aumento da arrecadação municipal.
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