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Visto não garante entrada nos EUA; o que muda até a imigração ser concluída

Com aumento de mais de 400% nos pedidos de imigração de brasileiros, especialistas explicam quais cuidados são necessários após a aprovação do visto para evitar problemas na imigração americana

10/07/2026 | 22:03
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FOTO: Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Muitos brasileiros comemoram a aprovação do visto acreditando que a etapa mais difícil acabou. Mas especialistas alertam que um erro pouco conhecido após a emissão do documento pode impedir a entrada nos Estados Unidos e até comprometer todo o processo de imigração. 

Em um cenário de crescimento recorde na procura por vistos, entender o que acontece entre a aprovação do documento e a entrada efetiva nos Estados Unidos passou a ser parte essencial do planejamento de quem pretende imigrar. 

Dados oficiais do U.S. Citizenship and Immigration Services mostram que os pedidos de brasileiros para vistos EB-2, destinados a profissionais com habilidades excepcionais e de interesse nacional, passaram de cerca de 1.800 por ano para mais de 9 mil em 2023, um crescimento superior a 400%.

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Quem decide sua entrada nos Estados Unidos?

O primeiro grande choque de realidade para o imigrante é entender que o consulado e a fronteira são duas barreiras totalmente distintas.

"O visto colado no passaporte não é uma autorização de ingresso definitiva, mas sim um documento que dá o direito de o cidadão viajar até um porto de entrada americano e pedir para entrar. Quem decide soberanamente se você entra ou não é o oficial da Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA", explica Henrique Scliar, especialista em conformidade legal e estratégia imigratória da SLS Legal Advisory.

Na prática, o oficial poderá fazer perguntas sobre o motivo da viagem, tempo de permanência e condições financeiras. Caso identifique inconsistências ou falta de clareza nas informações, a entrada poderá ser negada, resultando em repatriação.

Visto válido não significa permanência garantida

Outro erro comum é confundir a validade do visto com o período autorizado para permanecer nos Estados Unidos.

Enquanto a validade impressa no passaporte indica apenas até quando o documento pode ser utilizado para solicitar a entrada no país, o tempo de permanência é definido pelo oficial de imigração no momento da chegada e registrado eletronicamente no formulário I-94.

Henrique Scliar exemplifica que um turista pode entrar nos Estados Unidos um dia antes do vencimento do visto e permanecer legalmente pelo período autorizado pelo oficial da imigração, mesmo que o documento expire logo em seguida.

“Se o visto de um cidadão vence no dia 20 de outubro, ele pode legalmente pousar em Miami no dia 19 de outubro. Se o oficial do CBP (U.S. Customs and Border Protection) conceder o status de permanência padrão (geralmente de até 6 meses para turistas), o indivíduo poderá ficar nos EUA de forma 100% legal, mesmo que o visto colado em seu passaporte tenha expirado no dia seguinte ao pouso”, explica.

Atenção aos prazos após a aprovação

Para quem pretende imigrar definitivamente, a etapa seguinte também exige planejamento. Segundo Bruno Lossio, head da área de imigração e especialista em internacionalização de executivos, muitas famílias concentram todos os esforços para conseguir a aprovação do processo e acabam subestimando os prazos que começam a correr depois dessa conquista.

Se para o turista o controle é rigoroso, para quem obtém vistos de trabalho qualificado (como H-1B e L-1) ou de interesse nacional (EB-2 NIW), o pós-aprovação cria uma contagem regressiva que merece atenção.

Quando o processo de residência permanente (Green Card) é aprovado por via consular no Brasil, o visto impresso no passaporte tem uma validade máxima de 6 meses, prazo este atrelado à expiração dos exames médicos obrigatórios. Se a família atrasar a mudança por dificuldades em vender imóveis, fechar empresas ou desligar os filhos da escola no Brasil, o processo expira de forma definitiva.

“Muitos profissionais de ponta e executivos celebram a aprovação da petição inicial achando que a transição está concluída. Eles não calculam que o cronograma logístico e fiscal dado pelo governo americano não espera pelo tempo de desmonte de uma vida de 20 anos construída no Brasil. Errar esse timing pode ser fatal para o processo”, alerta Bruno Lossio.

Os cuidados não terminam na chegada. Depois de ingressar nos Estados Unidos, o imigrante também precisa respeitar rigorosamente o período de permanência registrado no formulário eletrônico I-94.

Além disso, quem passa um único dia além da data estipulada pelo registro digital I-94 incorre em presença ilegal (overstay). Por lei federal americana, acumular presença irregular aciona o cancelamento automático e imediato de qualquer visto em posse, além de poder disparar a penalidade de proibição de reentrada nos EUA por um período de 3 a 10 anos.

"Diante de um mercado imigratório cada vez mais técnico e competitivo, o sucesso de uma mudança para os Estados Unidos não termina com a aprovação do visto. A engenharia jurídica e o planejamento preventivo devem se estender até o momento em que a família cruza a fronteira e o status legal é formalizado de forma segura", explica Nathalia Guedes, advogada de imigração da SLS Legal, reconhecida pela atuação em vistos baseados em emprego e habilidades extraordinárias.

O planejamento continua mesmo após a aprovação do visto

A aprovação do visto representa uma etapa importante do processo de imigração, mas está longe de ser a última. Segundo os especialistas, a fase que antecede a mudança para os Estados Unidos exige organização documental, atenção aos prazos e planejamento jurídico para evitar problemas que podem comprometer a entrada no país ou até a manutenção do status migratório. Entre os principais cuidados recomendados pelos especialistas estão:

Prazo dos exames médicos 

Nos processos consulares para obtenção do Green Card, a validade do visto de imigrante está diretamente vinculada aos exames médicos realizados ainda no Brasil. Iniciar essa etapa sem alinhar o cronograma com a venda de imóveis, encerramento de empresas ou demais preparativos da mudança pode fazer com que o visto expire antes da viagem.

Documentação na chegada aos EUA: mesmo com o visto aprovado, o viajante ainda passará pela fiscalização da Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP). Apresentar documentos incompatíveis com as informações prestadas durante o processo ou não conseguir explicar o objetivo da viagem pode gerar questionamentos e comprometer a entrada no país.

Conferência do registro I-94: o registro eletrônico I-94 é o documento que determina quanto tempo o estrangeiro poderá permanecer legalmente nos Estados Unidos. Como erros de preenchimento podem ocorrer, especialistas recomendam conferir as informações logo após a entrada no país e solicitar correção imediata, caso seja identificada qualquer inconsistência.

Planejamento tributário e manutenção do Green Card: a obtenção do Green Card também cria obrigações fiscais perante o governo americano. Além disso, permanecer longos períodos fora dos Estados Unidos sem o planejamento adequado pode ser interpretado pelas autoridades como abandono da residência permanente, colocando o status migratório em risco.

"A aprovação da petição é apenas a fundação. A transição segura envolve conciliar o direito imigratório, as regras de fronteira e o impacto fiscal. É um cenário onde a automedicação jurídica costuma custar muito caro", afirma Nathalia Guedes.




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