A partir de 17 de julho
FOTO: Reprodução/EBC

As empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, terão de enquadrar-se em regras mais duras de publicidade, anunciou nesta quinta-feira (9) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. As novas normas serão publicadas nesta sexta-feira (10) e passam a valer em 17 de julho. As medidas incluem a obrigatoriedade de advertências nas campanhas publicitárias, restrições às estratégias de marketing e o reforço da fiscalização sobre empresas que atuam de forma irregular.
Uma das portarias determina que toda publicidade de empresas autorizadas seja acompanhada de mensagens de advertência semelhantes às utilizadas em propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas e medicamentos. Segundo Durigan, a iniciativa busca ampliar a conscientização da população sobre os riscos associados às apostas.
• "Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência"; e "Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento".
A segunda portaria, elaborada em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, estabelece novas restrições para as campanhas das empresas autorizadas. Entre as medidas estão a proibição de apresentar apostas como forma de investimento ou ganho fácil de dinheiro, de criar senso de urgência para estimular apostas e de utilizar comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o público a apostar.
"Todos os canais estão sujeitos a essas regras. Todo comentarista está proibido de induzir. Os comentaristas ou especialistas que comentam jogos ou mesas-redondas têm, para algumas pessoas, um tom de autoridade e, ao passar uma informação, também induzem ao jogo", afirmou o ministro.
As novas regras ainda proíbem a divulgação de históricos de premiações ou resultados anteriores capazes de estimular apostas. "Quando se mostra o histórico de premiação, se oculta o histórico de perdas", disse.
As campanhas também não poderão direcionar publicidade para crianças e adolescentes. "Há tolerância zero à publicidade que, de alguma maneira, busque atingir criança e adolescente", reforçou.
Combate às ilegais
"A gente faz restrições à publicidade de bets no país. Eu não preciso dizer, porque é chover no molhado, a nossa tolerância zero com as ilegais. Então, bet ilegal, em nenhuma medida está autorizada, e nem os publicitários, os veículos de comunicação estão autorizados a veicular qualquer publicidade envolvendo empresa não autorizada a operar no mercado", afirmou. Segundo o ministro, a proibição também alcança plataformas e veículos responsáveis pela divulgação das campanhas. Penalidades
Fiscalização
"Houve uma vedação de que beneficiários de programas do governo estão proibidos de acessar. Decisão do STF. E também das pessoas que aderem ao Desenrola", explicou o ministro, que acrescentou que as próprias empresas autorizadas têm colaborado com denúncias envolvendo operadores clandestinos. Regulação
Durigan também apresentou uma linha do tempo da regulamentação das apostas esportivas no Brasil: • 2018: autorização legal para funcionamento, sem regulamentação; • 2023: Congresso aprova as regras gerais do setor; • 2024: criação da Secretaria de Prêmios e Apostas, no Ministério da Fazenda; • 2025: início da cobrança de outorgas e da aplicação das regras para operação regular; • 2026: notificação de 37 fintechs suspeitas de movimentar recursos ligados a bets ilegais. Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo das novas medidas é reduzir práticas publicitárias consideradas abusivas, ampliar a proteção ao consumidor e reforçar o combate ao mercado ilegal de apostas no Brasil.
multa de até 20% do faturamento da operadora; suspensão das atividades por até 180 dias; e cassação da autorização de funcionamento em casos de reincidência grave.
Segundo o ministro, 56 mil sites de apostas ilegais já foram retirados do ar e cerca de 1.000 perfis de influenciadores foram derrubados. Aproximadamente 1 milhão de apostadores tiveram a autoexclusão determinada por estarem em desacordo com as restrições previstas na legislação.
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