Esportes Titulo Por dentro da bola da Copa

Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano, faz estudos do interior da Trionda

A Trionda é a bola oficial da Copa do Mundo de 2026 e foi criada para simbolizar a união dos três países-sedes

Fábio Junior
Especial para o Diário
09/07/2026 | 08:49
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FOTO: Divulgação/Adidas
FOTO: Divulgação/Adidas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Trionda, bola oficial da Copa do Mundo de 2026, foi criada para simbolizar a união dos três países-sedes, no caso Estados Unidos, México e Canadá. O nome faz referência às “três ondas”, em alusão tanto às nações anfitriões como à tradicional “ola” das arquibancadas. Produzida pela Adidas, a pelota, que tem as cores azul, verde e vermelho, está longe de possuir diferencial dedicado apenas ao visual. Além disso, na final do torneio, ela terá detalhes em preto e dourado

Equipada com sensores, IA (Inteligência Artificial) e uma estrutura aerodinâmica inédita, ela se transformou em uma das principais aliadas da arbitragem e dos jogadores durante o andamento das partidas. Por dentro da Trionda, existe uma IMU (Unidade de Medição Inercial), formada por um acelerômetro e um giroscópio, capaz de realizar 500 medições por segundo, registrando toda aceleração, rotação, direção e trajetória da bola dentro das quatro linhas. Essas informações são enviadas em tempo real para o sistema do VAR e cruzadas com dados de centenas de câmeras ao redor dos estádios.

Na prática, essa tecnologia imposta pela Fifa permite confirmar com precisão milimétrica lances de impedimento, identificar toques de mão, calcular a velocidade de um chute, acompanhar todo o trajeto percorrido pela bola durante os 90 minutos e, principalmente, determinar exatamente quando ela ultrapassa completamente a linha do gol, sendo implementada anteriormente na icônica Brazuca, bola da Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil. 

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A bola tomou conta das aulas no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano. A pesquisadora Emily Costa, 26 anos, explicou que a instituição desenvolveu um protótipo inspirado no objeto para demonstrar o funcionamento aos estudantes. “A gente colocou um sensor que é o acelerômetro e o giroscópio justamente para registrar o que a própria bola da Copa captura. Com isso, conseguimos identificar os chutes e medir a força aplicada.”

A professora de Engenharia de Controle e Automação, Andressa Martins, 37, destaca que todo esse sistema é resultado de anos de pesquisa. “Quando uma tecnologia chega a um produto final como esse, ela passa por um processo gigantesco de estudo. Os sensores utilizados na bola são os mesmos presentes em celulares, carros, robôs e máquinas industriais, mas adaptados para uma aplicação completamente diferente”, diz. 

Já o coordenador do curso de Design, Everaldo Pereira, 53, lembra que a estrutura, com apenas quatro painéis, representa um importante avanço na fabricação. “A quantidade de costuras é menor, o processo de fabricação é otimizado e há melhor aproveitamento dos materiais, o que também contribui para o desempenho da bola”, conclui.

Ex-atacante vê evolução do item como uma aliada do espetáculo

Quem acompanhou a transformação das bolas de futebol ao longo das últimas décadas percebe claramente a diferença em campo. Ídolo do São Caetano e com passagens por Ponta Grossa-PR, São Bento-SP, São José-SP, Stuttgart (Alemanha), Seongnam FC (Coreia do Sul) e Yokohama Marinos (Japão), o ex-atacante Adhemar Ferreira, 54 anos, afirma que os modelos atuais oferecem muito mais qualidade para os jogadores e ajudam a tornar a partida mais dinâmica e objetiva. 

“A diferença entre as bolas da nossa época e as de hoje é enorme. Antigamente, elas eram de couro e, quando chovia, absorviam muita água, ficando muito mais pesadas. Hoje, a bola é muito mais leve, tem tecnologia embarcada e sensores que auxiliam a arbitragem”, comentou. 

Para o ex-jogador, a evolução deve continuar, desde que preserve a essência da modalidade. “Acho importante que o futebol evolua sem perder sua essência. A bola mais leve favorece um jogo mais dinâmico e contribui para que aconteçam mais gols, algo que sempre beneficia o espetáculo”, disse. 

O esportista ainda fala que as mudanças influenciaram na forma de jogar. “Hoje, a bola faz mais curvas e acaba ajudando os atacantes, tornando o jogo mais ofensivo”, conclui.

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