Economia Titulo Em um ano

Feijão segue como o vilão da cesta básica e tem alta de 123% em Santo André

Valor do conjunto de alimentos e produtos de primeira necessidade para as famílias já compromete 76,45% do salário mínimo, de R$ 1.621

Joao Vittor Espindula
Especial para o Diário
08/07/2026 | 08:33
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FOTO: Divulgação/Embrapa Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O feijão continua sendo o maior responsável pela alta da cesta básica em Santo André. Em 12 meses, completados em junho, o alimento acumulou aumento de 123% e registrou a maior variação entre os itens pesquisados, de acordo com a Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André). No primeiro semestre, a cesta básica ficou R$ 116,45 mais cara, alta de 10,37%, e passou a custar o equivalente a 76,45% do salário mínimo, de R$ 1.621.

Entre os produtos pesquisados, os maiores acréscimos na comparação a maio foram registradas no feijão, que subiu 27,13%, seguido pela esponja de aço, com aumento de 16,04%, e pelo tomate, que avançou 14,58%.

No balanço anual, além do feijão, outros produtos que tiveram elevação significativa foram o cebola (65,84%) , a batata (64,7%), o papel higiênico (61,77%) e a farinha de trigo (44,91%).

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A disparada dos preços já alterou a rotina de quem vai ao supermercado. Morador da Vila Palmares, em Santo André, o motorista aposentado Gildo Paulinio, 65 anos, diz que os reajustes deixaram de ser surpresa e passaram a fazer parte do dia a dia. “O aumento ocorre todo dia. Não é nem desse mês. Cada dia que você vem ao mercado é um preço diferente. O salário não aumenta, fica congelado. Hoje (ontem), o leite está um preço, amanhã (hoje) já está outro. O feijão também subiu muito.”

Para equilibrar as contas, ele afirma que passou a pesquisar promoções e a trocar marcas tradicionais por opções mais baratas. “Eu sempre comprava uma marca de arroz. Hoje (ontem) comprei outra porque entrou em promoção. Se eu for fazer uma compra boa mesmo, gastarei R$ 2.000 fácil. Você leva quatro sacolas e já paga R$ 300 ou R$ 400. A estratégia é comprar só o básico.”

De acordo com o engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezza, a disparada do preço do feijão é resultado de um conjunto de fatores que reduziram a oferta do produto no mercado. Ele explica que, entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, o alimento contabilizou sucessivas quedas de preço, desestimulando os produtores a manterem o nível de plantio.

“Quando o preço fica muito baixo, o produtor se desestimula a plantar. Com menos produto disponível no mercado, o preço volta a subir. Além disso, muitos agricultores substituem o feijão por culturas mais rentáveis, como milho e soja”, explica.

Segundo Vezza, o aumento dos custos de produção, do frete e dos insumos agrícolas também contribuíram para a alta. As condições climáticas agravam o cenário. “No inverno, a produção depende mais de irrigação, e nem todos os produtores têm essa estrutura. Com menor oferta, o preço sobe ainda mais.”

Para os próximos meses, o especialista avalia que ainda é cedo para prever uma tendência de queda da cesta básica. Segundo ele, fatores externos continuam a influenciar os preços. “É difícil fazer qualquer projeção. Temos a influência das tarifas internacionais, dos preços dos combustíveis, da energia e, principalmente, do clima. Depois da pandemia, o clima passou a ser um dos fatores que mais impactam os preços dos alimentos”, destaca.

Apesar da incerteza, Vezza afirma que a recente redução do preço do diesel e de outros custos logísticos pode trazer algum alívio ao consumidor, sobretudo para produtos perecíveis. “Quando caem os custos de combustível e energia, os primeiros produtos a sentir esse efeito são frutas, verduras e legumes. Os alimentos frescos costumam responder mais rapidamente, enquanto os produtos secos e estocáveis demoram mais para apresentar redução”, diz.

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