Economia Titulo Peso no bolso

Custo da cesta básica na região impacta 75% do valor do salário mínimo

Morador precisa trabalhar 166 horas e 18 minutos das 220 horas mensais permitidas na Constituição para conseguir o dinheiro necessário para pagar itens básicos

Beatriz Mirelle
15/05/2026 | 08:00
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O preço médio da cesta básica em Santo André chegou a R$ 1.224,85 em abril - o que compromete 75% do salário mínimo (R$ 1.621). Com isso, o morador precisa trabalhar 166 horas e 18 minutos das 220 horas mensais permitidas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) para conseguir o dinheiro necessário para comprar os 34 itens básicos de alimentação, limpeza e higiene pesquisados. Ao considerar jornada de oito horas diárias, seria necessário 21 dias para conseguir o montante.

O levantamento da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado andreense) indica que o valor subiu 3,22% (R$ 38,20) na comparação com março e 11,36% (R$ 125) frente ao mesmo período de 2025. 

As maiores altas mensais foram registradas na batata (27,6%) e na cebola (17%). Já a alface é o item com a variação mais expressiva entre abril do ano passado e agora, ao subir 97% (veja na arte abaixo)

DGABC

A dona de casa Aldina Damasceno, 74 anos, moradora do Capuava, em Santo André, afirma que não consegue encontrar saídas para economizar na hora de fazer as compras no supermercado. “Tudo parece estar mais caro, principalmente laranja, banana e óleo de cozinha. Tento pesquisar os preços em mais de um lugar para não pesar no bolso, mas está difícil”, relata.
 

A promotora de eventos Maria das Neves, 67, do Jardim Alvorada, em Santo André, comenta que não consegue adotar a mesma estratégia. “Os preços oscilam muito a cada semana. A gente, que é dona de casa, sente muito. Os materiais de limpeza aumentaram bastante. Com a rotina corrida, só consigo fazer compras no fim de semana. Vou no mesmo mercado sempre. Não dá para comparar com outros estabelecimentos. O jeito é observar o que está na promoção.”

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O engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezzá, explica que variações no diesel interferem o transporte e gera repercussões no balanço, assim como mudanças climáticas também pesam na cotação. “A batata está em uma época ruim de plantio, prejudicada por chuvas repentinas. Além disso, temos três safras da cebola estamos no final da safra do sul do Brasil. A próxima é de São Paulo, que terá frete menor. Por enquanto, pagamos por uma que tem baixa oferta e uma qualidade inferior ao início do período.”
 
Ele indica que março e abril tiveram altas expressivas, que somaram R$ 78,44. “A situação econômica está tão crítica quanto na pandemia. Todos os preços dos produtos subiram, mas os que mais estão caros são a alface e a carne bovina. As crises externas (como o conflito no Oriente Médio) têm atingido o balanço.”
 
De acordo com ele, o alface surpreende muito. “Era para estarmos em uma época com queda dos preços, por causa do clima mais ameno e a tendência das pessoas consumirem menos saladas. Mas, isso não aconteceu. Vivemos um outono atípico, mais quente, que favoreceu a demanda em meio ao encarecimento dos combustíveis.”
 

Vezza aponta que evitar compras aos fins de semana e perto do 5º dia útil pode ajudar a economizar. Também recomenda que os consumidores substituam produtos mais caros. No caso da alface, por exemplo, ele aconselha trocar por repolho ou couve. “A carne de boi pode dar espaço a carne suína, com cortes como pernil e lombo. São alternativas.”

DIEESE

O balanço nacional da cesta básica nacional teve alta em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal em abril. São Paulo segue com o dado mais significativo, cotado em R$ 906,14. Os dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) junto com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) consideram 13 itens, como leite, carne, arroz etc. 

O levantamento também indica que, para custear esse gasto, o salário mínimo deveria ser de R$ 7.612,49.

(Colaborou João Vittor Espindula)




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