Clima de otimismo Mercado interno de veículos segue aquecido, mas avanço das importações e queda das exportações limitam crescimento da produção nacional
FOTO: Vagner Aquino/DGABC

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) revisou suas projeções para 2026 após o desempenho acima do esperado no primeiro semestre. A entidade estima que o Brasil ultrapasse a marca de 3 milhões de veículos emplacados no ano, resultado que não é alcançado desde 2014. Se confirmada, a alta será de 11,7% em relação a 2025 - a previsão inicial era de 2,7%.
O crescimento será puxado principalmente pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, cuja expectativa de expansão passou para 12,6%. Em sentido oposto, caminhões e ônibus devem encerrar o ano com retração de 6%, refletindo a recuperação mais lenta do mercado de veículos pesados.
Em números, a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) já havia divulgado, na última semana (leia mais), que junho emplacou 272.466 veículos - a soma de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O número é 28% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025. Porém, 0,7% menor na comparação com maio.
Isso, no entanto, pode ter sido reflexo do Move Brasil Taxi e Aplicativos, que liberou benefícios apenas no dia 19 de junho. Ou seja, muita gente esperou para comprar carro no mês passado.
Produção
Mesmo com o aquecimento da demanda doméstica, a produção nacional não acompanha o mesmo ritmo. A Anfavea elevou sua projeção de crescimento de 3,7% para 5,8%, o que representa um volume próximo de 2,8 milhões de veículos produzidos, o melhor desempenho desde 2019.
Apesar da queda na comparação com maio (-3%), o mês de junho registrou volume de produção de veículos 17,2% maior em relação ao mesmo período do ano passado. No total, 246 mil unidades foram fabricadas no sexto mês de 2026.
"Por um lado, ficamos satisfeitos com o vigor do mercado nacional e com essa alta na produção, que vem se refletindo em ligeira elevação do nível de empregos. Por outro lado, lamentamos muito que parte dessa recuperação venha sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados em SKD isenta de Imposto de Importação, algo que vem se provando desnecessário e fora de propósito, dado o bom desempenho dos veículos eletrificados no mercado”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Crescimento do segmento de automóveis
Nos seis primeiros meses de 2026, a indústria produziu 1,372 milhão de veículos, alta de 8,8% sobre o mesmo período do ano passado, consolidando o melhor primeiro semestre desde antes da pandemia. O principal motor desse crescimento foi o segmento de automóveis, cujas vendas avançaram 23,7%, o equivalente a 208 mil unidades a mais do que no primeiro semestre do ano passado. Desse incremento, 73 mil unidades são atribuídas ao programa Carro Sustentável, que impulsionou as vendas dos veículos de entrada.
Em junho, pontuou a associação, os eletrificados alcançaram participação recorde nas vendas de veículos leves, chegando a 20,9% do mercado. Para se ter ideia, os três carros mais emplacados no varejo (vendas para pessoas físicas), no Brasil - BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e Geely EX2) -, são movidos por baterias.
Exportações em queda
Já o comércio exterior segue em trajetória negativa. As exportações somaram 216,6 mil unidades no primeiro semestre, queda de 21,2% em relação ao mesmo período de 2025. Aliás, devem cair 12,8% em 2026, informa a Anfavea, pressionadas pela maior concorrência de veículos chineses e mexicanos, e pela retração do mercado argentino. Só as vendas para o país vizinho recuaram em quase 60 mil veículos. Em janeiro, a projeção da entidade era alta de 1,5%.
O avanço das importações também preocupa o setor. Entre janeiro e junho, foram licenciados 280,6 mil veículos importados, metade deles provenientes da China. Com isso, o Brasil voltou a registrar déficit na balança comercial automotiva, com a entrada de 63 mil veículos a mais do que o volume exportado no primeiro semestre.
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