Editorial É preocupante o ingresso do Sistema Cantareira na faixa de alerta, conforme mostra reportagem publicada nesta edição do Diário. Embora especialistas consultados pela equipe de reportagem do jornal indiquem que o abastecimento da população permaneça sob controle, a redução da capacidade de reservação durante a estação seca revela que a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo está permanentemente ameaçada, o que enseja mudança comportamental. No Grande ABC, onde parte dos moradores recebe água deste manancial, a realidade impõe atenção ao consumo diário, pois a disponibilidade do recurso sofre influência da irregularidade das chuvas e das mudanças climáticas.
A necessidade de ampliar a retirada de água em bacias cada vez mais distantes evidencia outro desafio para o poder público. A autorização para a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) elevar a captação no Rio Paraíba do Sul demonstra que os mananciais próximos já não conseguem responder sozinhos à demanda de milhões de habitantes. Esse processo amplia gastos com obras, operação, energia e infraestrutura, fatores que podem repercutir sobre os custos da produção de água. Além disso, interligações entre bacias exigem cuidados para preservar o equilíbrio ambiental e reduzir impactos sobre ecossistemas que também dependem desses cursos d’água.
A situação está ficando cada vez pior, o que demanda conscientização da sociedade. Economizar recursos hídricos é, além de recomendação necessária, respeitar o interesse coletivo. Eliminar desperdícios, reduzir o tempo de banho e reutilizar água sempre que possível, além de adotar equipamentos mais eficientes, colaboram para aliviar a pressão sobre os sistemas produtores. Chamar a sociedade à responsabilidade não exime o Estado de investir em infraestrutura, proteger mananciais e combater perdas na rede. A combinação entre gestão e consumo racional assegura o abastecimento às próximas gerações sem ampliar custos nem comprometer os recursos naturais. Não há outro caminho.
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