Nível Reservatório que abastece a região fecha o mês de junho com 39,9% da capacidade e passa a ter menor captação
Divulgação/Governo de São Paulo

O Sistema Cantareira, que abastece partes de Santo André e São Caetano, entrou na faixa 3 (alerta), após registrar nível de 39,9% da capacidade nesta terça-feira (30). Diante do cenário atual, a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e SP Águas (Agência de Águas do Estado de São Paulo) anunciaram a redução da captação de 31 para 27 metros cúbicos por segundo.
O nível registrado na última atualização foi o pior desde 2022, quando o sistema registrou 39,7% em 30 de junho daquele ano. Além do Cantareira, o Grande ABC é abastecido pelos sistemas Alto Tietê, Rio Claro e Rio Grande, sendo que este último é responsável pela água que chega a cerca de 1,5 milhão de moradores da região. Atualmente, os três mananciais registram 50,9% (faixa de atenção), 63,9% (normal) e 88,7% (normal), respectivamente.
Para o professor de recursos hídricos da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Jefferson Nascimento, a situação atual é preocupante, mas controlada. “Esse nível já esteve bem pior neste ano, quando ficou abaixo de 20%. Isso tudo foi parcialmente controlado com uma mudança na gestão de vazão da rede de distribuição de água”, comentou.
Em 14 de janeiro, o reservatório chegou a registrar 19,3% da capacidade, pior marca do ano até aqui.
Desde 27 de agosto de 2025, a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) implementou a chamada GDN (Gestão de Demanda Noturna), que reduziu a pressão da água das 21h às 5h. Posteriormente, a agência ampliou esse tempo para dez horas, das 19h às 5h, em 22 de setembro.
“Por meio da GDN, mais de 160 bilhões de litros de água foram economizados na Região Metropolitana de São Paulo. Esse volume equivale ao consumo mensal de 28 milhões de pessoas e seria suficiente para abastecer toda Capital por dois meses consecutivos”, informou a Arsesp, por meio de nota.
Segundo Nascimento, diante do quadro atual não deve ocorrer um novo aumento do horário da redução da pressão de água.
Já a professora de hidráulica e drenagem urbana da UFABC (Universidade Federal do ABC), Melissa Graciosa, explicou que o nível tende a diminuir devido ao período seco que o Estado vive. “Precisamos economizar o recurso, fazendo o uso racional. Estamos em plena estação de seca e é esperado que haja redução do volume. Mas estamos em uma situação segura (e distantes) em relação à penúltima faixa (restrição), o que poderia levar ao aumento da GDN”, disse.
Em nota, a SP Águas afirmou que o baixo índice no sistema decorre das irregularidades climáticas ao longo de 2025 e no verão de 2026, o que teria comprometido a recuperação dos níveis de armazenamento, sobretudo no Cantareira.
A especialista da UFABC ressaltou que a diferença dos níveis entre os mananciais acontece em razão de fatores climáticos. “Choveu mais na cabeceira das bacias que abastecem o Sistema Rio Grande e menos no Cantareira. Cabe destacar que o Rio Grande possui uma transposição de águas para o Alto Tietê, justamente para reforçar a segurança hídrica na região metropolitana”, concluiu Melissa.

Sistema passa a captar mais água de bacia hidrográfica do Rio de Janeiro
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) foi autorizada a ampliar a captação de água da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, para reforçar o Sistema Cantareira, que fornece água a cerca de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo. Com a autorização, o limite de captação passou de 162 hm³ para até 268 hm³ até 31 de dezembro. Cada hectômetro cúbico equivale a 1 milhão de metros cúbicos. O objetivo é reforçar a segurança hídrica da Região Metropolitana do Estado. “A Sabesp informa que a autorização concedida pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) está prevista nas regras de operação do Sistema Cantareira e integra os mecanismos de gestão estabelecidos na outorga vigente”, comunicou a companhia. Ainda de acordo com a Sabesp, a empresa tem um planejamento de R$ 7,8 bilhões em ações de segurança e resiliência hídrica até 2030. “Isso inclui a modernização dos sistemas produtores, a ampliação da capacidade de tratamento, novas interligações entre mananciais e o aumento da flexibilidade operacional, tornando o sistema mais preparado para enfrentar períodos de estiagem e os efeitos das mudanças climáticas”, disse. LEIA MAIS: Com chuvas, níveis de reservatórios que abastecem a região atingem melhor marca
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