Recuperação Mananciais têm o maior volume no ano; governo alerta para uso consciente da água
Denis Maciel/DGABC

Os reservatórios que abastecem o Grande ABC atingiram o maior volume de água no ano. Segundo dados do Painel dos Mananciais da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), atualizados nesta segunda-feira (9), os sistemas Alto Tietê, Cantareira, Rio Claro e Rio Grande marcaram, respectivamente, 47,3%, 38,2%, 66,2% e 91,2% de capacidade disponível.
Em comparação, o manancial Rio Grande, localizado em São Bernardo e um dos braços da Represa Billings, se encontrava, no dia 9 de cada mês, com 61,8% em janeiro e 77,4% em fevereiro. Dessa forma, o reservatório recuperou quase 30 pontos percentuais do volume de água em dois meses deste ano. O manancial fechou dezembro de 2025, por exemplo, com 59% do volume útil. Já o Cantareira chegou a 19,8% em 9 de janeiro.
Um dos fatores para o aumento do nível nas represas é o registro de fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana de São Paulo nos últimos meses. De acordo com dados do painel da Sabesp, somente em março já choveu 73,9% da média esperada para o mês no Rio Grande.
Segundo a SPÁguas (Agência de Águas do Estado de São Paulo) e a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado), o SIM (Sistema Integrado Metropolitano) opera atualmente na faixa 3, denominada Alerta, que permite retirada máxima de 27 metros cúbicos por segundo. O sistema, que reúne sete represas, também conta com Cotia, Guarapiranga e São Lourenço.
As agências reguladoras afirmaram que as chuvas ajudaram, mas não é o único fator. Desde 27 de agosto de 2025, a Arsesp implementou a GDN (Gestão de Demanda Noturna) que reduziu a pressão de água das 21h às 5h. Depois, a agência aumentou o tempo para dez horas, das 19h às 5h, no dia 22 de setembro.
Em nota, a SPÁguas e a Arsesp afirmaram que essa iniciativa ajudou a economizar mais de 105 bilhões de litros de água e pedem que a população faça o uso consciente.
No início da redução da pressão, os mananciais Alto Tietê, Cantareira, Rio Claro e Rio Grande estavam, respectivamente, com 30,1%, 35,5%, 22,3% e 58,9%.
“Para uma recarga efetiva nos reservatórios, é necessário que as chuvas ocorram de forma prolongada nas áreas acima dos pontos de captação. O cenário atual (baixo nível dos mananciais) é influenciado por um déficit hídrico histórico, com seis anos consecutivos de chuvas abaixo da média. Portanto, a recuperação sustentada exige um período de chuvas regulares”, destacou os órgãos.
Apesar da recuperação parcial dos níveis, a professora de hidráulica e drenagem urbana da UFABC (Universidade Federal do ABC), Melissa Graciosa, alertou para novas medidas e o uso consciente do recurso.
“Estamos tendo um período de chuvas na média. Não quer dizer que podemos abaixar a guarda. Devemos ter um controle de perdas melhor e um reúso de água. Por exemplo, os piscinões ficam ociosos grande parte do tempo, poderiam funcionar como reservatórios que seguram e até tratam essa água para que possa ser usada para fins não potáveis”, disse.

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