Editorial A saúde pública no Grande ABC convive com paradoxo que não pode ser ignorado. Enquanto moradores aguardam durante meses por consultas, exames e procedimentos especializados, o Ambulatório do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) funciona abaixo da capacidade disponível, conforme mostra reportagem publicada nesta edição do Diário. A instituição de ensino reúne consultórios, equipamentos e profissionais aptos a ampliar os atendimentos, porém depende dos encaminhamentos realizados pelos municípios. Como consequência, pacientes têm seu quadro clínico agravado enquanto estudantes e médicos residentes deixam de ter contato com casos indispensáveis à boa formação profissional.
Tal desencontro produz prejuízos em diferentes frentes. Uma delas é a financeira. Municípios estão sempre reclamando de falta de dinheiro para custear a saúde. Por sua vez, a população enfrenta deslocamentos para outras localidades, embora existam serviços instalados na região. Paralelamente, a faculdade precisa buscar pessoas de cidades distantes, incluindo o Interior e o Litoral paulistas, para assegurar as atividades práticas exigidas pelo ensino médico. Trata-se de uma situação que evidencia falhas na articulação entre gestores e prestadores de assistência. A estrutura permanece disponível, as demandas existem, mas ambas seguem separadas por um modelo de regulação incapaz de aproximar oferta e necessidade.
A implantação da Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) Regional representa alternativa para corrigir a distorção. Em vez de manter a distribuição concentrada na esfera estadual, o sistema descentralizado permitiria direcionar usuários do Grande ABC aos equipamentos existentes dentro da própria região, aproveitando a capacidade instalada e reduzindo deslocamentos e custos. A medida contribuiria para diminuir filas, fortalecer a integração entre os serviços, ampliar o acesso às especialidades e garantir melhores condições para a formação de novos médicos. Afinal, quando planejamento e cooperação caminham juntos, toda a rede pública passa a atender de maneira mais eficiente quem realmente depende dela.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.