
Gabriel Martinelli se apresentou à seleção brasileira diretamente nos Estados Unidos porque disputou a final da Liga dos Campeões pelo Arsenal, quando os jogadores convocados por Carlo Ancelotti já treinavam em Teresópolis para a Copa do Mundo.
Parecia que o atacante seria uma das últimas opções ofensivas de Ancelotti, atrás dos jovens Rayan e Endrick, ambos de 19 anos e apontados pelo treinador como o futuro da seleção, e até de Luiz Henrique, ex-Botafogo e atualmente no Zenit, que participou de todo o ciclo do italiano, de pouco mais de um ano, e disputava uma vaga entre os titulares depois da lesão de Estêvão, que o tirou da Copa do Mundo. Martinelli, aos 25 anos, tornou-se, portanto, o improvável herói da difícil classificação do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo.
Ele marcou o segundo gol da vitória por 2 a 1 sobre o Japão, nesta segunda-feira, 29, no NRG Stadium, em Houston. O gol saiu aos 50 minutos do segundo tempo. O Brasil havia saído atrás no placar após uma falha de Danilo, um dos veteranos da equipe, e empatou com Casemiro.
A retranca japonesa obrigou a seleção a abusar dos cruzamentos para a área, mas o gol da vitória nasceu de uma roubada de bola de Rayan, que tocou para Bruno Guimarães. O volante encontrou Martinelli livre na área para marcar. Foi apenas o quinto gol de Martinelli com a camisa da seleção brasileira em 26 partidas, e, sem dúvida, o mais importante.
Ele entrou um pouco mais centralizado, na vaga de Matheus Cunha, o falso centroavante da equipe de Ancelotti. Com o decorrer do segundo tempo, porém, passou a atuar mais pela esquerda para dividir o setor com Vini Jr. Foi justamente por ali que se infiltrou na área para garantir a classificação brasileira.
Na comemoração, foi para a torcida e recebeu o abraço dos jogadores do banco de reservas e dos titulares. Um foi especial: seu companheiro de Arsenal, Gabriel Magalhães. O zagueiro perdeu o pênalti que fez o Arsenal perder a final da Liga dos Campeões para o PSG, e Martinelli foi um dos primeiros a ir até ele consolá-lo naquela noite.
Hoje o abraço foi de alegria. DE VILÃO A HERÓI O erro de passe de Danilo, que originou o gol de Sano para o Japão, teve um agravante: Casemiro, já amarelado, optou por não fazer a falta no jogador japonês antes da finalização para evitar a expulsão. O lance certamente transformaria o volante de 34 anos em um dos vilões caso a eliminação na segunda fase da Copa do Mundo fosse confirmada.
Casemiro, ao lado de Neymar, Danilo e Marquinhos, representa uma geração que tem nos Estados Unidos sua última oportunidade de conquistar um título mundial. Mas, no futebol, tudo muda muito rápido. Diferentemente do que fez na estreia contra Marrocos, quando Casemiro também foi para o intervalo com cartão amarelo, Carlo Ancelotti decidiu mantê-lo em campo.
E deu certo. Antes dos dez minutos do segundo tempo, o volante aproveitou um cruzamento de Gabriel Magalhães e empatou a partida de cabeça, quando o jogo já começava a ganhar contornos dramáticos para a seleção brasileira. Casemiro ainda sentiu dores na perna nos minutos finais e acabou substituído por Fabinho.
Com o gol de Martinelli, porém, a história dessa geração em Copas do Mundo continua. Resta saber se ela chegará até o dia 19 de julho, data da final.
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