Potencial Fernando Fonseca afirma que volume de pacientes encaminhado por prefeituras é pequeno em relação à estrutura da universidade
FOTO: Claudinei Plaza

O reitor do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Fernando Fonseca, e o vice-reitor, David Feder, defendem que o Ambulatório de Especialidades da instituição poderia realizar um número maior de atendimentos de pacientes, caso houvesse um volume maior de encaminhamentos por parte das prefeituras. Conforme relataram, há uma subutilização do serviço, mesmo com estrutura de 109 consultórios, equipamentos para exames e 40 especialidades, muitas delas não ofertadas pelos municípios.
Segundo Fonseca, os pacientes são encaminhados pelas administrações de Santo André, São Bernardo e São Caetano, que centralizam as vagas pelo município andreense. “O Ambulatório foi montado em 1996 para trazer a população para dentro da instituição. Prestamos serviço às três cidades, mas é a Prefeitura de Santo André que regula e organiza o direcionamento das vagas. Há um equívoco no entendimento do contrato, porque acho que deveria ser uma regulação regional disponibilizada a todos, sem sobrecarregar Santo André. Não é incomum ver um paciente sendo ‘jogado’ (enviado) para Capital em razão da regulação.”
O setor de oftalmologia, uma das referências da instituição, executa 600 procedimentos por mês, mas teria capacidade para cerca de 2.000, segundo os reitores. “Poderia ser muito mais. Contamos com cirurgias de catarata, glaucoma, estrabismo e muitas outras. Inclusive, as cidades possuem filas (desses procedimentos) e não enviam. Qual é a política dos municípios? O paciente tem de reconhecer que a resolução (dos problemas) está acontecendo dentro da cidade e não na faculdade. (Portanto enviar para cá) não gera retorno político”, afirmou Fonseca.
Questionadas sobre as filas de consultas, exames e cirurgias, oftalmológicas ou de outras especialidades, as prefeituras não retornaram até a conclusão desta edição.
Para os reitores, a falta de encaminhamentos também impacta no desenvolvimento acadêmico dos residentes e pesquisadores. A residência é uma modalidade de pós-graduação voltada a profissionais já formados que buscam especialização. “O médico residente tem um número específico de procedimentos para ganhar o certificado. Então, tem de ter paciente para poder fazer isso, mas o município deve encaminhar. Não dá para o paciente ficar na rede esperando numa fila, porque às vezes não há tempo”, explicou Feder.
Além disso, os dirigentes da FMABC falaram que o ideal é que o ensino ocorra com pacientes reais, o que fica prejudicado com falta de pacientes para o aprendizado dos alunos. Atualmente, a faculdade possui 1.200 profissionais e 3.000 estudantes. “Têm muitos doentes que bancamos por interesse acadêmico e científico. Isso foi uma briga grande com a FUABC (Fundação do ABC) no passado. O pensamento era ser uma unidade de negócio. Claro, tem de ser sustentável, mas não quero fazer dinheiro com o ambulatório. Tenho que atender casos especiais para que os alunos tenham formação adequada, senão vai sair vendo só boneco”, falou Fonseca.
OUTRAS REGIÕES
Para solucionar parte da demanda reprimida, a FMABC realiza atendimentos de pacientes de fora da região, sem geração de receita para a instituição. “Para não termos problemas nas residências, ofereceremos atendimentos a municípios bem distantes e de graça. Ilha Comprida, Sorocaba, Cabreúva, Capital e cidades da Baixada Santista são exemplos”, disse Fonseca.
De acordo com dados da FMABC, mais da metade das pessoas que passam nas especialidades não são reguladas pelos contratos das prefeituras, e sim derivadas de buscas e acompanhamentos da própria instituição. “A maioria vem por fora. Na oftalmologia, praticamente todos os atendidos são externos. Os que vêm daqui da região são as ‘encrencas’ que o pessoal não consegue resolver nesses ambulatórios. Então, os municípios precisam começar a ter interesse. Não somos melhores que as cidades. Precisamos delas e precisam de nós”, concluiu.
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