Solicitação de deputados Levantamento mostra que apenas 4,14% dos valores apontados por parlamentares estaduais para a região foram liberados
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

O Grande ABC contabiliza R$ 125 milhões apontados por deputados estaduais para 2026, segundo dados do Portal da Transparência do Estado de São Paulo. Desse total, R$ 5,1 milhões já foram liberados pelo Palácio dos Bandeirantes, o equivalente a 4,14% das indicações parlamentares, entre emendas impositivas ao Orçamento e transferências voluntárias. Santo André e São Bernardo concentram os maiores volumes, enquanto Mauá e Rio Grande da Serra são os menos contemplados pelo Legislativo estadual.
Ao todo, a região som 247 emendas parlamentares impositivas, as quais totalizam R$ 56,7 milhões e têm execução obrigatória pelo governo estadual. Outras 105 indicações somam R$ 68,3 milhões e dependem de decisão do Executivo para sair do papel. Na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), a principal destinação das verbas é o custeio da saúde, seguido por repasses a entidades assistenciais. Há ainda parcelas menores voltadas para segurança pública, educação, desenvolvimento social e cultura.
Santo André registrou R$ 36,5 milhões apontados para a cidade – R$ 13,8 milhões impositivos e R$ 22,6 milhões de execução não obrigatória. Em seu reduto eleitoral, Ana Carolina Serra (PSDB) se destacou, com quase R$ 12 milhões direcionados, sobretudo para instituições sociais. Até o momento, R$ 400 mil foram pagos a quatro entidades, em parcelas de R$ 100 mil cada. O Estado também vetou tecnicamente R$ 1,1 milhão previsto para obras esportivas na Vila Guaraciaba, permitindo à deputada redirecionar a verba para outros projetos.
Em São Bernardo, Carla Morando (PSD) indicou R$ 4,8 milhões em recursos, dos quais R$ 730 mil já receberam aval por meio de 14 emendas destinadas a entidades sociais. Por sua vez, Luiz Fernando Teixeira (PT) apresentou R$ 6,3 milhões em destinações orçamentárias, com execução até aqui de R$ 517,8 mil. Já dos R$ 11 milhões indicados por Teonílio Barba (PT), nenhum centavo recebeu sinal verde até o momento. Ao todo, a cidade acumula R$ 34 milhões em indicações – R$ 17,5 milhões de execução obrigatória e R$ 16,5 milhões condicionados ao aval do Executivo.
Especialista em direito e processo eleitoral, Natália Rubinelli afirmou que a retenção de valores por parte do Estado é comum em anos eleitorais. “O governo não é obrigado a liberar todas as emendas indicadas pelos deputados e, em ano eleitoral, pode haver maior cautela, pois a lei proíbe repasses voluntários de recursos entre entes federativos nos três meses que antecedem a eleição, salvo algumas exceções legais. Então, não há proibição geral de liberar emendas, mas algumas podem ficar limitadas”, justificou a advogada.
Exatamente nesse cenário que Diadema, terceiro município da região mais destacado na Alesp, recebeu a designação de R$ 17,6 milhões em aportes direcionados, sendo R$ 8,7 milhões impositivos. A cidade registra volumes financeiros indicados pelos deputados Carla Morando, com a soma de R$ 6,5 milhões, Oseias de Madureira (PL), R$ 1,8 milhão, e Ana Carolina, R$ 1,5 milhão.
Dos R$ 6,1 milhões para São Caetano, apenas R$ 200 mil desembarcaram neste ano: R$ 100 mil de Danilo Balas (PL) para equipamentos escolares na Escola Municipal Luiz Olinto Tortorelo e quantia igual de Guto Zacarias (Missão) visando novos instrumentos da GCM (Guarda Civil Municipal). Da bancada do Grande ABC, Carla Morando solicitou quase R$ 3,7 milhões, enquanto Thiago Auricchio (PL), que tem domicílio na cidade, indicou R$ 550 mil, montante via pedidos voluntários.
Ribeirão Pires teve o total, até o momento, de R$ 14,1 milhões de verbas destacadas, sendo que R$ 1,7 milhão chegou na cidade, com maior foco, novamente, para associações sociais. Na vizinha Mauá, foram R$ 10 milhões solicitados ao Palácio dos Bandeirantes, sendo do gabinete de Rômulo Fernandes (PT), R$ 5,1 milhões, enquanto o ex-prefeito Atila Jacomussi (PRD) pediu R$ 200 mil a duas entidades. Mas liberado mesmo à população mauaense, somente R$ 314 mil dos deputados Caio França (PSB), Capitão Telhada (PL) e Paulo Fiorilo (PT).
Menor cidade do Grande ABC, Rio Grande da Serra contou com R$ 6,2 milhões em emendas, mas nada ainda chegou aos cofres municipais.
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