Demissões Plano prevê fechamento de fábricas na Alemanha e amplia reestruturação para enfrentar concorrência chinesa e reduzir custos de operação no mundo
FOTO: Divulgação

A Volkswagen estuda ampliar seu programa de reestruturação. Para isso, a gigante planeja cortar até 100 mil empregos em todo o mundo. A princípio, a marca fala no encerramento da produção em quatro fábricas na Alemanha. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (21) pela publicação alemã Manager Magazin, com base em relatos de fontes da empresa e, se confirmadas, resultará em um dos maiores programas de demissões da história da indústria automobilística.
Recentemente, a VW havia anunciado a eliminação de 50 mil postos de trabalho até 2030, mas o novo plano prevê outros 50 mil cortes para acelerar a redução de custos. A empresa, em síntese, enfrenta pressão da crescente concorrência das fabricantes chinesas, além dos impactos das tarifas dos Estados Unidos e das incertezas no mercado global.
A reestruturação também inclui o fechamento de unidades alemãs de Emden, Zwickau, Hanover e da fábrica da Audi em Neckarsulm. Com a ação, a Volkswagen pretende economizar 6 bilhões de euros por ano até 2030 e, ademais, avalia a venda de ativos para fortalecer seu caixa.
De acordo com o Grupo Volkswagen, que não confirmou as informações, qualquer decisão ainda precisa ser analisada pelos órgãos de governança. Os detalhes do plano devem, no entanto, ser apresentados pelo CEO Oliver Blume ao conselho fiscal da companhia no dia 9 de julho.
No Grande ABC
O plano de reestruturação da Volkswagen ainda não tem reflexos anunciados para as operações brasileiras. No entanto, a possibilidade de uma redução de postos dessa magnitude gera apreensão entre trabalhadores e fornecedores da fábrica Anchieta, em São Bernardo.
Procurada pelo Diário para comentar se o plano global poderá atingir a fábrica de São Bernardo, que emprega milhares de moradores do Grande ABC, a Volkswagen respondeu por meio de nota. Veja, na íntegra:
"A Volkswagen não tem previsão de demissões no Brasil. Pelo contrário, em 2025 a Volkswagen do Brasil fez contratações para a produção de suas quatro fábricas no País, sendo cerca de 50% mulheres, reforçando seu compromisso com a diversidade. O Brasil é o 3º maior mercado em volume de vendas para a marca Volkswagen no mundo, atrás apenas da China e Alemanha. No Brasil, a Volkswagen segue com seu plano de investimento de R$ 16 bilhões até 2028 e uma ofensiva de 17 novos carros para o mercado nacional, sendo nove já lançados. Dessa forma, impulsionamos o desenvolvimento e a produção de veículos 100% brasileiros e com alto índice de peças nacionais, valorizando a indústria do Brasil e a geração de empregos no País."
A planta da Anchieta, inaugurada em 1959, é uma das mais tradicionais unidades da montadora fora da Alemanha. Vista como o berço da marca no Brasil, o local tem área total de 1,6 milhão de metros quadrado, dos quais 994 mil m² são de área construída. De lá, saem Polo Track, Nivus, Nivus GTS, Virtus e Saveiro. O complexo, cabe lembrar, está desenvolvendo o primeiro modelo híbrido flex da marca, que deverá chegar ao mercado em 2027.
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