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Cocaína apreendida em cargas de madeira pode superar total interceptado esse ano no País

24/06/2026 | 12:38
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A apreensão de cocaína líquida misturada a cargas de madeira em Corumbá (MS) e Cáceres (MT), no domingo, 21, que poderá se tornar a maior da história do País, também deverá superar o total apreendido da droga de janeiro a maio deste ano, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Nos primeiros cinco meses deste ano, as polícias estaduais e Federal apreenderam 44,7 toneladas de cocaína no Brasil. O mês de abril teve o maior volume registrado no ano, de 12 toneladas interceptadas. Na operação na fronteira com a Bolívia, batizada de Timber Shield, a Receita Federal estima que o total apreendido em meio à carga de madeira poderá variar entre 20 e 50 toneladas.

Ao todo, foram apreendidos oito caminhões que levavam 260 toneladas de madeira com a droga. Segundo a Receita, estima-se que entre 10% e 20% da carga seja de cocaína - com base em ocorrências anteriores envolvendo o mesmo método de ocultação.

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Procurada pelo Estadão, a Receita Federal informou que a quantidade total de cocaína apreendida ainda depende da perícia que será realizada pela Polícia Federal (PF). A reportagem entrou em contato com a PF e aguarda retorno.

Desde 2015, o Ministério da Justiça e Segurança Pública consolida os dados sobre apreensões de drogas no Sinesp. As informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública são agregadas por mês e por ano, não sendo possível identificar as operações individualmente, explicou o ministério.

Veja dados de apreensões de cocaína no Brasil, segundo o Sinesp:

2026 (janeiro a maio): 44.798 kg

2025: 127.589 kg

2024: 139.237 kg

2023: 128.617 kg

2022: 121.315 kg

2021: 84.630 kg

2020: 59.332 kg

2019: 72.863 kg

2018: 27.134 kg

2017: 69.842 kg

2016: 42.206 kg

2015: 29.704 kg

Operação na fronteira

A operação na fronteira foi conduzida pela Receita em cooperação internacional com os Estados Unidos e a Aduana Nacional da Bolívia. Informações compartilhadas pelos EUA mostram que a carga apreendida no Brasil tem relação com outras cargas interceptadas no Chile no início do mês, todas de origem boliviana. Somente no dia 6 de junho a aduana chilena apreendeu 100 toneladas da droga misturada em madeira, conforme a Receita Federal.

"A cooperação internacional entre Brasil, EUA e Bolívia foi determinante para identificação do esquema internacional, com atuação integrada entre as aduanas, os EUA e a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico, FELCN da Bolívia", informou o órgão. "A Operação Timber Shield evidencia o alto grau de sofisticação das organizações criminosas e reforça a importância da cooperação internacional", explicou.

Apesar da cooperação internacional, a cocaína apreendida em Corumbá e Cáceres permanecerá no Brasil, segundo o órgão. "Confirmado o volume, será a maior apreensão de cocaína da história do Brasil - e uma das maiores da já registradas no mundo. É uma resposta firme do Estado brasileiro à sofisticação das organizações criminosas que atuam no tráfico internacional", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em publicação na rede social X.




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