Artigo Confundir faturamento com lucro é mais comum do que parece. Afinal, o resultado real só aparece depois que todos os custos – inclusive aqueles que não são tão evidentes no dia a dia – são consolidados. E quanto maior é o nível de complexidade de uma empresa, maior pode ser o erro. Isso acontece, por exemplo, em empresas com equipes externas, como as instaladoras de energia solar, elétrica, cabeamento estruturado, entre outras.
Esses negócios costumam operar numa dinâmica fragmentada: os materiais são comprados em um mês, o faturamento é registrado apenas no mês seguinte e, muitas vezes, a entrega do serviço acontece só depois. Há ainda custos variáveis, como deslocamentos para a execução do trabalho e etc.
Para saber de fato se a empresa está gerando prejuízo ou lucro, é preciso analisar tudo em profundidade, conectando cada etapa do processo.
Mas, como conectar e medir isso com precisão? É nesse contexto que a tecnologia assume papel essencial. Afinal, um sistema de gestão completo – integrando financeiro, operações, vendas, estoque, monitoramento externo e indicadores – não serve só para registrar dados, mas para revelar o que está oculto. Ele cruza contas a receber, custos de materiais, hora-homem de cada técnico, deslocamentos e despesas variáveis que, em geral, passam despercebidas. E, quando os dados se encontram num único dashboard, a realidade aparece: projetos que pareciam altamente rentáveis, às vezes, estão no zero a zero ou até no prejuízo.
Isso é ainda mais evidente em setores que têm muitos projetos financiados. O valor entra à vista no caixa, dando a sensação de lucro imediato. Mas os custos – deslocamento, equipamentos, retrabalho, instalação, garantia, manutenção – continuam surgindo nos meses seguintes. Sem uma ferramenta que consolide tudo, o empresário às vezes só descobre o problema quando é tarde demais.
Já vi empresas com mais de uma centena de profissionais externos fecharem as portas mesmo com faturamento acima da média. O problema não era vender pouco, mas não saber exatamente onde o dinheiro estava sendo gasto – e, principalmente, onde estava sendo perdido. Por isso, recomendo: invista em tecnologias que integrem e mostrem dados em tempo real, apontando gargalos antes que eles se tornem irreversíveis. Um sistema completo não serve apenas para organizar a empresa. Ele revela a verdade sobre ela. No final das contas, não é sobre quanto se fatura – é sobre quanto se retém. E, principalmente, é sobre transformar tecnologia em visão estratégica para manter seu negócio sustentável e preparado para crescer de forma consistente.
Augusto Lyra é CEO da Everflow.
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