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Por que tememos tanto os vírus?

Fabiano Gonçalves Guimarães
22/06/2026 | 09:28
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Gilmar Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A pandemia da Covid-19 deixou marcas profundas em milhões de pessoas ao redor do mundo. Além da perda de cerca de 700 mil vidas no Brasil, ela trouxe uma sensação coletiva de vulnerabilidade, mostrando que, a qualquer momento, situações inesperadas podem transformar completamente nossa rotina. De um dia para o outro, fomos confrontados pelo medo, pelo isolamento e pela incerteza diante de um inimigo desconhecido.

Com as recomendações de uso de máscaras e distanciamento social, foi necessário adaptar hábitos e comportamentos de uma forma inédita para as gerações atuais. As ruas ficaram vazias, os hospitais lotados e, enquanto a ciência buscava respostas, a principal forma de prevenção era evitar o contato entre as pessoas. Idosos enfrentaram a solidão, populações vulneráveis sofreram ainda mais com a redução do acesso a serviços essenciais e muitas famílias não puderam sequer se despedir de seus entes queridos.

O impacto desse período faz com que novos surtos e doenças despertem preocupação. Sempre que surgem notícias sobre vírus como o Ebola, por exemplo, a memória da pandemia é reativada. Afinal, os vírus sempre representaram um desafio para a humanidade.

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Ao longo da história, epidemias e pandemias provocaram profundas transformações sociais. Em épocas em que o conhecimento científico era limitado, doenças como a varíola devastavam populações inteiras. O sarampo e a gripe espanhola também causaram milhões de mortes em diferentes países.

Hoje, entretanto, a realidade é diferente. Graças aos avanços científicos, muitas dessas doenças podem ser prevenidas ou ter seus impactos reduzidos por meio da vacinação. A própria Covid-19 demonstrou a capacidade de resposta da ciência. Em poucos meses, vacinas seguras e eficazes foram desenvolvidas e disponibilizadas à população. Processos que antes levavam anos foram acelerados sem comprometer a segurança, contribuindo para salvar milhares de vidas.

As vacinas são uma das maiores conquistas da saúde pública. Elas protegem contra doenças que vão desde a gripe, que também pode provocar casos graves e mortes, até enfermidades erradicadas no Brasil, como a poliomielite. Antes da vacinação em massa, muitas crianças dependiam dos chamados pulmões de aço para sobreviver às complicações da doença. Hoje, graças à imunização, essa realidade pertence ao passado.

O Brasil possui um dos mais amplos programas públicos de vacinação do mundo, oferecendo gratuitamente proteção contra diversas doenças. Além da vacina contra a Covid-19, novas tecnologias continuam sendo incorporadas ao Sistema Único de Saúde. Em 2026, por exemplo, a vacina contra o vírus sincicial respiratório, importante causa de bronquiolite em bebês, passou a integrar o calendário de imunização.

A experiência da pandemia deixou lições que não podem ser esquecidas. Entre elas, a importância da ciência, da vigilância em saúde e da vacinação. Mais do que prevenir doenças, as vacinas protegem vidas, reduzem sofrimentos e fortalecem a capacidade da sociedade de enfrentar os desafios sanitários do presente e do futuro.

Fabiano Gonçalves Guimarães é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.

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