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Corpos perfeitos existem?

Fabiano Gonçalves Guimarães
08/06/2026 | 08:00
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A moda da estética muda de acordo com as gerações e com o avanço da tecnologia e da ciência, que permite uma disponibilidade cada vez maior de procedimentos, tratamentos e produtos. Em outros períodos históricos ao nosso, a magreza passou a ser valorizada como símbolo de elegância, disciplina ou status social.

Na década de 1980, as chamadas supermodelos ajudaram a consolidar um padrão de beleza extremamente magro, muitas vezes abaixo do peso, sendo considerado algo saudável. Nos anos 1990, tendências como o chamado heroin chic reforçaram ainda mais a valorização de corpos muito magros. Nas décadas seguintes, diferentes padrões ganharam espaço, incluindo a valorização de curvas e do corpo definido por meio de exercícios físicos intensos e intervenções estéticas.

Isso demonstra que, independentemente da época, o peso corporal sempre carregou significados sociais, culturais e econômicos que vão muito além da saúde. O problema surge quando padrões estéticos são tratados como objetivos universais e passam a influenciar comportamentos que colocam em risco o bem-estar físico e emocional das pessoas. Inclusive, afetando a vida de pessoas muito jovens, como crianças e adolescentes, provocando uma distorção de imagem de algo que não existe. 

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Hoje, com as redes sociais, a exposição constante a imagens editadas, filtros e conteúdo que prometem resultados rápidos pode aumentar a pressão por mudanças corporais para uma realidade que não existe além de dentro das telas. Muitas pessoas acabam recorrendo a métodos sem comprovação científica, ao uso inadequado de medicamentos, esteroides anabolizantes ou produtos comercializados sem autorização dos órgãos reguladores, colocando em risco a saúde física e muitas vezes financeira de toda a família, já que são procedimentos de alto custo. 

Infelizmente, são cada vez mais frequentes as notícias sobre complicações graves relacionadas ao uso indevido dessas substâncias. Casos de internações, sequelas permanentes e até mortes reforçam a importância de buscar orientação profissional antes de iniciar qualquer tratamento para perda de peso ou ganho de massa muscular.

É importante ficar atento(a) a tudo o que se lê e se consome não só nas redes sociais, mas também fora delas, já que a comunicação e publicidade hoje chegam em qualquer espaço com uma rede de internet como e-mails, anúncios em transportes públicos, em cidades menores pelos outdoors. Se proteger e se questionar se aquele desejo de se tornar igual a tal pessoa é realmente genuíno ou há alguma necessidade real. 

A saúde não pode ser reduzida a um número na balança ou a um padrão estético momentâneo. O cuidado com o corpo deve estar baseado em evidências científicas, acompanhamento profissional e objetivos realistas, respeitando as características individuais de cada pessoa. Mais importante do que seguir tendências é adotar hábitos sustentáveis que promovam qualidade de vida, saúde física e saúde mental ao longo do tempo.

Fabiano Gonçalves Guimarães é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade




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