Diarinho Titulo Trânsito

Jornalista de Santo André escreve livros para mostrar que carros não são os ‘donos’ das ruas

Ex-morador andreense, Peter Fussy se encanta pelo mundo da literatura infantil e reflete sobre as formas de se locomover

Fabio Junior
Especial para o Diário
21/06/2026 | 09:25
Compartilhar notícia
André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Peter Fussy, 43 anos, nasceu na Capital, mas construiu grande parte de sua história em Santo André. Formado em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, situada no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo, ele trabalhou por mais de uma década na imprensa antes de encontrar um novo caminho profissional, no caso o mundo da literatura infantil.

Atualmente morando na região do Porto, em Portugal, Peter encontrou inspiração para escrever ao vivenciar diferentes modelos de mobilidade urbana durante um período de estudos em Amsterdã, na Holanda. A experiência mostrou que cidades podem ser planejadas para pessoas, e não apenas para carros, ideia que acabou influenciando diretamente em sua produção literária. “Eu realmente vivi essa experiência de uma cidade para pessoas, não uma cidade para carros como eu estava acostumado aqui no Brasil”, comentou ele, em entrevista ao Diarinho.

A sua primeira obra foi lançada em 2023, com o título Se Essa Rua Fosse Minha, que surgiu da vontade de preservar na memória de seu filho as vivências nos Países Baixos. A história acompanha o pequeno Tom, um menino que sonha em voltar a brincar nas ruas e busca inúmeras soluções para torná-las mais seguras, acessíveis e acolhedoras. “O personagem principal é o meu filho. Escrevi essa primeira história pensando nele e no imaginário de uma cidade totalmente diferente”, explicou, pontuando que o livro está disponível em outras línguas, como inglês e o espanhol. 

DGABC

Dois anos depois, o profissional lançou Monstrônsito, que utiliza uma criatura gigante para representar os problemas causados pelos congestionamentos nas grandes cidades. A narrativa mostra como o excesso de automóveis afeta a qualidade de vida, o meio ambiente e as relações humanas. “Todos os livros que publiquei colocam esse problema: como os carros afetam a vida diária das crianças?”, afirmou o autor.

Além de escrever, Peter fundou a Editora Move, dedicada à publicação de obras infantis voltadas para temas contemporâneos como mobilidade, sustentabilidade, uso de telas e autoestima. Segundo ele, a literatura pode ajudar a ampliar horizontes e a estimular reflexões desde a infância. “A literatura pode expandir o imaginário da criança e mostrar que outras realidades são possíveis”, destacou.

Entre os principais projetos, está o lançamento da tradução para português de um livro infantil sobre a Palestina, além de uma nova obra autoral. Apesar de estar vivendo no continente europeu, ele mantém forte ligação com o Grande ABC e lembra com carinho de sua relação com o Diarinho, do qual chegou a ser capa quando criança, em 1993, em uma edição dedicada ao Dia das Bruxas. “Tenho certeza de que o Diarinho faz parte da minha trajetória e influenciou algumas escolhas que fiz na vida”, concluiu. 

Escritor usa imaginação para ajudar crianças na reflexão sobre o trânsito 

Mais do que contar histórias, Peter Fussy utiliza a literatura infantil para provocar reflexões sobre a forma como as cidades são construídas e ocupadas. Em suas obras, o trânsito aparece como um dos principais desafios da vida urbana.

No livro Monstrônsito, uma enorme criatura surge durante os congestionamentos e se alimenta de carros, fumaça e buzinas. O monstro simboliza problemas reais enfrentados diariamente por milhões de pessoas, como poluição, estresse, excesso de ruído e perda da qualidade de vida.

Já em Se Essa Rua Fosse Minha, o autor apresenta a visão de uma criança que deseja recuperar os espaços de convivência e brincadeira que, segundo ele, foram ocupados pelo trânsito intenso. De acordo com o autor, a obra incentiva os pequenos leitores a imaginarem ruas mais seguras, acessíveis e acolhedoras para toda sociedade.

O escritor acredita que os livros infantis podem ajudar os pequenos leitores a enxergarem além daquilo que estão acostumados a ver todos os dias. “É muito difícil imaginar uma cidade diferente quando a gente só conhece um jeito de viver. A literatura pode ajudar a criar esse imaginário.”

Além da diversão, as obras trazem mensagens sobre amizade, convivência, respeito aos espaços públicos e cuidado com o meio ambiente. Tudo isso de forma leve, com personagens que despertam a curiosidade e fazem os pequenos refletirem sem deixar a aventura de lado. 

Com criatividade e muita imaginação, os livros mostram que temas do cotidiano podem se transformar em histórias divertidas.

LEIA MAIS:

Amor por equipe da região faz crianças liderarem organizada




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;