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Amor por equipe da região faz crianças liderarem organizada

Filhos, netos e sobrinhos de antigos torcedores do Pérola FC demonstram paixão pela camisa nos campos de São Bernardo

Fábio Júnior
Especial para o Diário
14/06/2026 | 14:34
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em meio às bandeiras tremulando e aos gritos que ecoam pelas arquibancadas, uma cena chama a atenção de quem acompanha os jogos do Pérola FC, tradicional clube de várzea do bairro Assunção, em São Bernardo. A famosa TOP (Torcida Organizada do Pérola) é formada exclusivamente por crianças – são oito no total –, que carregam no peito a mesma paixão transmitida por pais, tios e avós ao longo de gerações. 

Com a mascote Eufrazino, um dos antagonistas do desenho Looney Tunes, estampada nos materiais da torcida, os pequenos torcedores transformam cada partida em uma festa particular. Antes mesmo de a bola rolar, chegam cedo ao campo para estender faixas, arrumar as bandeiras e preparar os instrumentos que ajudam a empurra o time durante os 90 minutos. 

A torcida organizada foi fundada em meados de 2010, mas após um período desativada, foi retomada pelas crianças. Aos 13 anos, Nikholas Nazareth Couto não esconde a emoção de fazer parte de todo o ambiente. “Em todos os jogos a gente chega cedo para colocar as bandeiras e fazer de tudo para apoiar o Pérola”, diz. 

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Entre os mais jovens está Enzo Nazareth Couto, 11, seu irmão mais novo. Para ele, o significado do clube cabe em uma única frase. “O Pérola significa amor”, resume. 

O sentimento é parecido para Erick James dos Santos Cunha, 12, que herdou a paixão da família. ‘É uma sensação muito boa ver a torcida cantando e motivando o time. Eu imagino o grupo muito maior daqui a alguns anos”, afirma. 

Já Pedro Henrique Martins, 13, destaca a adrenalina de viver as partidas ao lado de vários amigos, o que faz total diferença. “Tenho muito amor pelo clube. Cresci aqui e o Pérola faz parte da minha vida”, relata.

A tradição também está presente na história de Lucas Levy Albuquerque, 12. Bisneto de um dos fundadores do clube são-bernardense, ele sonha em vestir o emblemático uniforme azul e amarelo dentro das quatro linhas. “Quero ser importante para o Pérola. Um dia eu pretendo jogar aqui, e vou lutar para realizar esse sonho”, comenta.

Os momentos mais marcantes vividos pela torcida mirim são lembrados com muito orgulho. A campanha que levou o Pérola à semifinal da Liga de Futebol Amador de São Bernardo, considerado um dos maiores torneios da categoria do Estado de São Paulo, está entre as principais recordações do grupo. O principal triunfo aconteceu ainda na fase de quartas de final, quando o Pérola superou a S.E. Corinthinhas, por 1 a 0, e levou a torcida ao delírio, pois deixou para trás um octacampeão municipal. 

Apesar da eliminação para o Estrela D, por 3 a 2, cada vitória ao longo da competição foi celebrada como uma conquista coletiva, resultado da união entre jogadores, dirigentes e torcedores do Pérola. 

Enquanto muitos jovens passam o fim de semana e as férias escolares diante das telas, os integrantes da principal torcida organizada da TOP escolhem outro caminho: ocupam as arquibancadas para cantar, vibrar e manter viva a tradição que atravessa gerações. No Pérola, a paixão pelo futebol varzeano começa desde cedo. Entretanto, ao que tudo indica, está longe de terminar. 

Clube são-bernardense atravessa gerações e mantém legado em pé

Para a diretoria do Pérola FC, a equipe representa muito mais do que resultados dentro de campo. Segundo o diretor financeiro Marcel Gonçalves Luiz, 39 anos, uma das principais missões do clube é contribuir para a formação das crianças que frequentam a escolinha da instituição e acompanham o dia a dia. 

“A primeira ajuda que a gente oferece é educacional. Valorizamos muito essa questão e estamos sempre atentos ao comportamento delas (crianças). Quando percebemos alguma situação que precisa de orientação, procuramos ajuda”, afirma Gonçalves. 

De acordo com o profissional, os jovens participam ativamente da rotina do Pérola, acompanhando atividades e até reuniões da diretoria. Além disso, o clube busca apoiar famílias em situação de vulnerabilidade e mantém parcerias que oferecem benefícios educacionais aos alunos, além de inúmeras campanhas sociais.

Com o decorrer dos anos, filhos, sobrinhos e netos passaram a frequentar os jogos e assumiram naturalmente o protagonismo nas arquibancadas. “As crianças se interessaram pelo clube vendo a paixão dos pais. Muitos torcedores da velha guarda começaram aqui quando eram pequenos e transmitiram esse sentimento aos filhos”, explica o diretor. 

Hoje, a TOP (Torcida Organizada do Pérola) se mostra um dos símbolos não apenas do clube, mas do Grande ABC, e comprova que a paixão pelo futebol de várzea ainda encontra espaço entre as novas gerações. Para uma equipe com mais de 50 anos de história, um jovem torcendo incansavelmente por ela não tem preço.

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