Sinistros Período registra 23 óbitos nas vias, com mais da metade dos casos envolvendo motociclistas; homens representam 91% das vítimas
FOTO: Claudinei Plaza 19/7/24

O mês que simboliza a conscientização para um trânsito mais seguro terminou com um cenário oposto ao defendido pela iniciativa no Grande ABC. No período marcado pela campanha Maio Amarelo, 23 pessoas morreram em acidentes viários na região, segundo dados do Infosiga, sistema do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo). O número faz do mês o segundo mais mortal de 2026, atrás apenas de março, quando foram registradas 30 mortes.
Criado em 2014 e inspirado na Década de Ação para Segurança no Trânsito da ONU (Organização das Nações Unidas), o Maio Amarelo tem como objetivo mobilizar a sociedade para a redução dos acidentes e das mortes nas vias. Apesar dos esforços de conscientização, os números mostram que o desafio permanece.
Na avaliação de Flavia Vegh Bissoli, advogada especializada em gestão e legislação de trânsito, campanhas para combater acidentes nas vias são importantes, mas precisam vir acompanhadas de outras iniciativas. “As campanhas educativas são fundamentais, mas sozinhas não conseguem mudar comportamentos de forma duradoura. É necessário um trabalho integrado entre educação, fiscalização e engenharia de tráfego. A presença mais efetiva da fiscalização, o combate ao excesso de velocidade, ao uso do celular ao volante e à combinação de álcool e direção, além de melhorias na infraestrutura viária, são medidas indispensáveis”, pontua.
Entre as vítimas de maio, os motociclistas foram o grupo mais atingido, com 13 mortes, o equivalente a 57% dos óbitos no período. Em seguida, aparecem os pedestres, com sete mortes.
Para Flavia, a predominância dos motociclistas entre as mortes no trânsito está diretamente ligada à fragilidade desse tipo de veículo. “O motociclista é naturalmente mais vulnerável porque não conta com a proteção estrutural de um automóvel. Em uma colisão, mesmo em velocidades moderadas, as consequências costumam ser muito mais graves. Além disso, fatores como excesso de velocidade, manobras arriscadas, circulação entre veículos e a intensa utilização da motocicleta para o trabalho aumentam significativamente o risco de acidentes fatais”, explica.
PERFIL
Entre as vítimas, a faixa etária de 40 a 49 anos concentrou o maior número de mortes, com seis registros. “Esse dado demonstra que experiência não significa necessariamente segurança. Muitas pessoas nessa faixa etária dirigem há décadas e podem desenvolver uma sensação excessiva de confiança, reduzindo a percepção dos riscos. Além disso, são condutores que normalmente utilizam o veículo diariamente para o trabalho e compromissos pessoais, aumentando sua exposição ao trânsito”, avalia.
O levantamento aponta que homens foram maioria entre os mortos. Dos 23 óbitos registrados em maio, 21 eram do sexo masculino, ou seja, 91% dos casos. Apenas duas vítimas eram mulheres.
“Diversos estudos apontam que os homens estão mais frequentemente envolvidos em condutas de risco, como excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, direção sob efeito de álcool e maior propensão a assumir situações arriscadas no trânsito. Esse comportamento ajuda a explicar a predominância masculina entre as vítimas”, diz a especialista.
Na série histórica, maio de 2026 registrou o quarto maior número de mortes para o mês desde o início dos levantamentos, em 2015. O pior resultado continua sendo o de maio de 2025, com 30 óbitos. Em seguida, aparecem 2015 e 2024, ambos com 24 mortes.
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