Violência Entidade aponta divergências entre a metodologia do estudo e os dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo
FOTO: Nário Barbosa

A divulgação do Atlas da Violência 2026 motivou reação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, que contesta os números atribuídos aos municípios da região e afirma que os resultados não refletem a realidade observada pelos órgãos oficiais de segurança pública.
Produzido pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), o levantamento utiliza uma metodologia que vai além dos homicídios registrados pelas autoridades policiais. O estudo incorpora aos indicadores os chamados “homicídios estimados”, calculados a partir de MVCI (Mortes Violentas por Causa Indeterminada), casos em que não foi possível definir inicialmente se a morte decorreu de homicídio, acidente ou suicídio.
Segundo o Consórcio, esse método acabou gerando distorções nos números apresentados para a região. A entidade afirma que, ao comparar os resultados do Atlas com os dados oficiais da SSP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo), foram identificadas diferenças significativas nas taxas de homicídios.
Pelos dados da SSP, que consideram exclusivamente os homicídios efetivamente registrados pelas forças de segurança, as taxas por 100 mil habitantes na região são de 8,38 em Mauá, 8,09 em Santo André, 7,57 em Ribeirão Pires; 5,44 em Diadema, 4,52 em São Bernardo e 2,32 em São Caetano.
Já no Atlas da Violência, os índices são mais elevados: Ribeirão Pires aparece com taxa de 20,2 homicídios por 100 mil habitantes, seguida por Santo André, com 20, Mauá, com 17,9; Diadema, 17,3, São Caetano, 13,4 e São Bernardo, 7,4.
Presidente do Consórcio Intermunicipal e prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL) afirma que os números divulgados em reportagem do Diário em 27 de maio surpreenderam e motivaram uma análise detalhada da metodologia utilizada pelo estudo.
“Esses dados do Atlas nos surpreenderam. Então, fomos verificar e constatamos que não condiziam com a realidade. Havia um erro nesta metodologia. Inclusive, enviamos essa notificação aos produtores do estudo e fizemos sugestões para que entendam melhor o mapa de homicídios da região. Não há nada que prove que um acidente de carro com óbito seja homicídio. O dado acabou inflado e isso gera uma sensação de insegurança à população. Na nossa visão esse dado precisa ser revisto”, ressalta Guto.
O Consórcio destaca ainda que a região possui importantes corredores viários estaduais, onde ocorrem acidentes fatais que podem impactar os registros de mortes violentas e influenciar as estimativas utilizadas pelo Atlas. Na avaliação da entidade, a interpretação dos indicadores deve considerar o contexto operacional dos municípios e os dados oficiais produzidos pelas forças de segurança, evitando conclusões que possam transmitir uma percepção equivocada sobre os níveis de violência no Grande ABC.
Diante das divergências identificadas, o Consórcio informou que encaminhou questionamentos aos responsáveis pelo Atlas da Violência e defende a revisão dos dados relacionados à região, especialmente os referentes ao ano de 2024.
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