Viralizou Técnicas que prometem milagres se tornaram populares nas redes sociais, mas escondem riscos e chegam a transformar pequenos danos em grandes prejuízos
FOTO: Divulgação

Basta uma rápida busca nas redes sociais para encontrar vídeos que prometem eliminar amassados na lataria do carro. Uns prometem solução mágica, apenas com o uso de água quente, outros recomendam secadores de cabelo, ventosas, cola quente e até desentupidores de pia para resolver a questão. Esse tipo de publicação, no entanto - que costuma acumular milhões de visualizações - é balela, e não deve ser levado em consideração. Afinal, soluções rápidas e aparentemente econômicas para esse tipo de problema não existe. Fique de olho.
E é para alertar o internauta desinformado - e tentar barrar os espertinhos de plantão - que especialistas decidiram agir. Pois seguir esse tipo de dica pode sair mais caro do que um reparo profissional. Este último, a princípio, jamais deve ser descartado.
"As redes sociais costumam mostrar apenas o resultado final, sem explicar os riscos envolvidos ou os casos em que a técnica não é indicada. Antes de tentar qualquer procedimento encontrado na internet, vale buscar uma avaliação profissional para evitar prejuízos maiores", pontua João Ricardo Chamone Maciel, profissional especializado em martelinho de ouro e revenda de automóveis. "Nem sempre o caminho mais rápido é o mais econômico", completa.
O alerta ganha relevância em um país que possui uma frota superior a 130 milhões de veículos, segundo dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). Com mais carros circulando, cresce também a ocorrência de pequenos danos causados pelas mais diversas razões, desde um acidente até uma chuva de granizo ou mesmo incidentes em estacionamentos.
Cada caso é um caso
De acordo com Maciel, muitos dos métodos compartilhados na internet ignoram fatores técnicos fundamentais para a recuperação da lataria. "Cada amassado possui características próprias relacionadas à profundidade, ao local atingido e à tensão da chapa. O que parece uma solução simples em um vídeo pode gerar deformações adicionais, trincas na pintura e até danos permanentes na peça quando aplicado sem conhecimento técnico", explica.
Para economizar dinheiro, a busca por alternativas caseiras também tem sido impulsionada. Sem contar que brasileiro compra carro pensando em vender e, com isso, é grande a preocupação com a desvaloriazação do veículo. Ou seja, amassou, o proprietário corre atrás do conserto - pena que, em muitos casos, por meios duvidosos.
Problema pode se tornar maior
De acordo com Maciel, o principal problema surge quando a tentativa de reparo agrava o dano original. Em muitos casos, um amassado que poderia ser corrigido por técnicas de desamassamento sem pintura acaba exigindo serviços mais invasivos, como funilaria, aplicação de massa e repintura. "É comum recebermos veículos em que a intervenção caseira piorou a situação. Quando há comprometimento da pintura original, o reparo se torna mais complexo e, consequentemente, mais caro", sintetiza.
Outro fator que exige atenção é a evolução dos materiais utilizados pela indústria automotiva. Muitos veículos modernos empregam ligas metálicas de alta resistência, alumínio e componentes desenvolvidos para absorção impactos, exigindo ferramentas específicas e técnicas adequadas para evitar deformações adicionais. Nesse sentido, a tentativa de corrigir dezenas de pequenas avarias sem avaliação profissional pode comprometer ainda mais a estrutura superficial da carroceria.
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