Política Titulo Envelhecimento e tecnologia

Desafios do futuro exigem nova formação profissional no Grande ABC

Cidades do Grande ABC precisarão adaptar serviços, economia e infraestrutura diante das mudanças demográficas e tecnológicas

Felipe Delmondes
Especial para o Diário
13/06/2026 | 20:08
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 As setes cidades do Grande ABC precisarão se preparar para uma população cada vez mais envelhecida e aos impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Diante desse cenário, especialistas, gestores públicos e representantes de universidades defendem que a formação de mão de obra qualificada e a aproximação entre educação, inovação e poder público serão decisivas para o futuro da região. O tema foi debatido durante a segunda edição do CPIIC (Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro), realizado na última semana em Santo André.

O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, alerta para transformações que já impactam a região e que deverão se intensificar nas próximas décadas. “Se a curva demográfica continuar do jeito que está, em 2050 mais de 50% da população da região terá mais de 60 anos . Então, qual cidade precisamos entregar para essa população?”, questiona.

Apesar do cenário desafiador, Aroaldo avalia que a região reúne condições favoráveis para encontrar saídas, por concentrar universidades, centros de pesquisa e profissionais altamente qualificados. “Temos mais de 100 mil estudantes universitários e algo em torno de 8 mil mestres, doutores e especialistas. Agora, o foco é usar essa capacidade para achar soluções voltadas as nossas cidades e às cadeias econômicas”, complementa.

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A necessidade de unir o conhecimento acadêmico às demandas práticas foi reforçada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego de Santo André, Evandro Banzato. “Não dá para aceitar mais esse comentário de que a universidade está distante dos desafios da indústria ou da gestão pública. Precisamos trabalhar juntos para transformar a nossa realidade.”

Para encurtar essa distância, o Parque Tecnológico de Santo André tem criado iniciativas para atrair a juventude. A meta do espaço é receber até 3.500 visitantes por mês, a maioria alunos da rede pública de ensino. Segundo o secretário, o objetivo principal é estimular a curiosidade e influenciar a escolha profissional desses estudantes.

O local conta atualmente com laboratórios voltados para inteligência artificial, internet das coisas e manufatura avançada, além de programas de visitas monitoradas. “A participação direta deles aqui é fundamental, pois são esses jovens que vão nos ajudar a construir o futuro da nossa cidade e da nossa região”, afirmou Banzato.

Para especialistas da área de educação, a preparação dos jovens será um dos fatores decisivos para que a região consiga enfrentar essas transformações. A diretora de Graduação da Universidade Metodista, Patricia Brecht Innarelli, avalia que os jovens do Grande ABC ingressarão no mercado de trabalho em um cenário marcado por rápidas mudanças tecnológicas e sociais. 

“Mais do que dominar conteúdos técnicos, esses jovens precisam desenvolver habilidades como pensamento crítico, criatividade, capacidade de adaptação e comunicação eficaz. Em um cenário em que a tecnologia evolui rapidamente, aprender continuamente deixará de ser um diferencial e passará a ser uma necessidade básica”, afirmou.

Segundo a especialista, o avanço da inteligência artificial e da automação deve transformar profissões tradicionais e ampliar a importância das chamadas habilidades humanas. “Ao mesmo tempo, cresce a valorização das chamadas soft skills, como empatia, colaboração e inteligência emocional, que não podem ser substituídas por máquinas. Essas competências serão essenciais em ambientes de trabalho cada vez mais dinâmicos e interconectados”, destaca.

POLÍTICAS PÚBLICAS

A preocupação com a formação profissional e a preparação da população para as transformações do futuro também aparece nas políticas públicas adotadas pelos municípios da região. A aposta na formação de mão de obra qualificada e na aproximação entre educação e mercado já aparece nas estratégias adotadas pelas prefeituras. As cidades promovem iniciativas voltadas à capacitação profissional, inclusão digital e preparação da população para as transformações tecnológicas.

Em Santo André, a Prefeitura promove programas de qualificação voltados a jovens e adultos nos Centros Públicos de Formação Profissional, em parceria com instituições de ensino superior. Segundo a administração, a iniciativa tem como objetivo ampliar oportunidades de inserção profissional e acompanhar as transformações do mercado de trabalho. “Entre os cinco temas de formação estão Construção Civil, Imagem Pessoal, Alimentação, Administrativo e Informática, com o enfoque na educação voltada para inserção dos mesmos no mundo do trabalho e nas relações sociais.”

A Prefeitura de Ribeirão Pires realiza parcerias com instituições de ensino e qualificação para oferecer cursos alinhados à realidade da região. “Essas iniciativas possibilitam a oferta de cursos gratuitos alinhados às necessidades do mercado local, especialmente nos setores de comércio, serviços e turismo”, destaca a administração ribeirão-pirense.

Em Rio Grande da Serra, a aposta está na formação em competências digitais. Segundo a Prefeitura, a Escola do Trabalhador 4.0 oferece cursos gratuitos voltados à tecnologia, inteligência artificial e empreendedorismo. “A iniciativa contribui para ampliar as oportunidades de empregabilidade, fomentar a inovação e fortalecer o desenvolvimento econômico sustentável da cidade”, afirma.

Já São Caetano aponta a educação continuada como uma das ferramentas para enfrentar as mudanças demográficas e tecnológicas. “Os programas educacionais do município estimulam a aprendizagem ao longo da vida, fortalecendo a inclusão social e preparando os cidadãos para os desafios contemporâneos”, pontua a administração.

Em Diadema, a Prefeitura ressalta os cursos de informática, tecnologia e capacitação profissional oferecidos pela Fundação Florestan Fernandes, além de iniciativas voltadas à inclusão digital da população idosa.

As prefeituras de Mauá e São Bernardo não retornaram aos questionamentos até o fechamento da reportagem.

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