CopaMundo Titulo Estreia contra o Brasil

Geração de ouro comanda confiança dos marroquinos do Grande ABC

Seleção africana vive a melhor fase de sua história, e tem como destaques Hakimi e Brahim Díaz

Ryan Leme
Especial para o Diário
13/06/2026 | 06:30
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Quando a bola rolar para Brasil e Marrocos, neste sábado (13), às 19h, pela abertura do Grupo C da Copa do Mundo, na região o duelo será acompanhado não só por torcedores vestidos de verde e amarelo. Marroquinos que construíram a vida no Grande ABC acompanham com expectativa o crescimento da seleção africana, que vive o melhor momento de sua história e chega ao Mundial com ambições maiores do que apenas repetir a campanha de destaque realizada no Catar, em 2022, com o quarto lugar.

Morador do Centro de São Bernardo desde 2006, o empresário Said Ouajidchoukr, 50 anos, nasceu em Casablanca e cresceu em uma cultura onde o futebol está presente desde cedo. “A gente sempre jogava bola. Na praia, na rua, em qualquer lugar. É uma cultura muito forte, parecida com a do Brasil”, afirma.

Mas a ligação com a modalidade ganhou nova dimensão na última Copa, quando Marrocos se tornou a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Mundial. “Marrocos surpreendeu a todos. Não começamos aquela Copa tão confiantes. mas conforme a equipe avançava, a animação só aumentava”, relembra Said.

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Desde então, a seleção se consolidou entre as principais do planeta. Sétima colocada no ranking da Fifa, a equipe chega à Copa após campanha perfeita nas eliminatórias, com oito vitórias em oito partidas.

Para o professor de História e colaborador da pós-graduação em Relações Internacionais da UFABC (Universidade Federal do ABC), Mohammed Nadir, 50, o crescimento do futebol marroquino está ligado a um projeto nacional ambicioso. “Marrocos percebeu que o futebol também é um elemento cultural. Foram criadas academias de formação e uma estrutura para desenvolver jogadores desde jovens. O futebol passou a ser uma forma de mostrar a cultura do país ao mundo”, explica.

Apesar de viverem há anos fora do país natal, ambos mantêm fortes laços com suas origens. Nadir deixou Marrocos há quase três décadas, mas ainda assim, diz que a conexão permanece. “Costumamos dizer que podemos sair de Marrocos, mas Marrocos não sai de nós”, relata.

Sobre a estreia, a dupla conta que se em outras gerações enfrentar o Brasil significava encarar um favorito quase inalcançável, hoje o sentimento é diferente. “Não vejo medo, nossa equipe ganhou autoconfiança. Os jogadores atuam nos principais clubes da Europa e estão acostumados aos grandes jogos”, afirma Nadir. Algumas das estrelas citadas por eles são o lateral-direito Achraf Hakimi, atual campeão da Champions pelo PSG, e o meia do Real Madrid Brahim Díaz.

Mesmo admirando a tradição brasileira, Said não esconde para quem irá torcer na estreia. “Gosto do futebol do Brasil, mas quero que o Marrocos ganhe. Vou me juntar com um grupo de amigos, fazer uma festa. Para nós, é um jogo muito especial”, finaliza.

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