
De um lado um dos anfitriões da Copa do Mundo que busca apagar a imagem negativa da última edição no Catar (eliminado na fase de grupos) e que tem, em Rafa Márquez, um legítimo representante para voos mais altos no futuro. No outro, um rival africano que retorna ao Mundial após 16 anos como franco atirador para tentar estragar a festa dos donos da casa.
É nessa atmosfera que México e África do Sul dão o pontapé inicial nesta quinta-feira, às 16h (horário de Brasília), no estádio Azteca, para abrir o evento que vai monopolizar as atenções de todo o planeta até o dia 19 de julho, data da grande decisão. Carregando o peso de sediar a disputa ao lado de Estados Unidos e Canadá, o México chega ao torneio após um ciclo marcado por instabilidade, mudanças de comando e cobranças por resultados. O argentino Diego Cocca durou apenas quatro meses no cargo de treinador e caiu após derrota para os Estados Unidos na Liga das Nações da Concacaf em 2023.
Jaime Lozano, seu substituto, dirigiu a seleção em apenas 21 jogos e também deu adeus ao posto após ser eliminado na fase de grupos da Copa América em 2024. Foi nesse cenário que Javier Aguirre surgiu no comando da seleção e assumiu a missão de reorganizar o grupo. A grande figura, no entanto, vai estar a seu lado.
Auxiliar técnico da seleção, Rafa Márquez já possui um acordo firmado para assumir o comando após o encerramento da Copa, iniciando oficialmente o planejamento para o ciclo que terá como destino a Copa do Mundo de 2030. Poucos nomes carregam tanta identificação com a camisa mexicana quanto o ex-defensor de 47 anos. Com cinco Copas do Mundo no currículo, sua liderança e conhecimento do ambiente da seleção o credenciam como escolha natural para conduzir a próxima geração e já o coloca à prova agora.
A coincidência reserva ainda um capítulo especial para sua trajetória. Em 2010, quando México e África do Sul também se enfrentaram na partida de abertura de uma Copa do Mundo, foi justamente Rafa Márquez quem marcou o gol mexicano no empate por 1 a 1. A confiança nessa transição e aposta na competência de Rafa Márquez foi atestada pelo presidente da federação mexicana, Ivar Sisniega. "Ele está feliz na seleção, vendo o que vem a seguir.
Está mais que preparado para continuar (o trabalho). A evolução do Rafa vem a passos largos. Hoje você vê e já sabe que ele é treinador", afirmou o mandatário.
O reencontro entre as duas seleções em uma abertura de Mundial adiciona um componente simbólico ao início da competição. Se dentro das quatro linhas a responsabilidade estará nos pés dos atuais jogadores, fora delas Márquez acompanha cada passo de um projeto que, na prática, já começou. O ex-defensor participa ativamente das decisões da comissão técnica e ganha experiência para a transição programada.
Em sua caminhada, o México tenta unir quilometragem e fôlego. O núcleo experiente, que dá estrutura ao selecionado, é encabeçado pelo goleiro Ochoa, 40, prestes a jogar sua sexta Copa do Mundo, e conta com Edson Alvarez, 29, e sua liderança na retaguarda. Raul Jimenez, 35, traz experiência e é uma referência no ataque, enquanto o defensor Cesar Montes, 30, dá ao time bastante solidez.
Já em relação às promessas, Gilberto Mora, meia de 17 anos, tornou-se o símbolo do futuro. Armando 'Hormiga' Gonzalez, atacante de 23 anos, é outra boa opção ofensiva e tem ainda Obed Vargas, 20, meia que surge como uma boa alternativa para mudar o jogo. Mais do que buscar um resultado positivo diante da África do Sul, os mexicanos enxergam a competição como um ponto de partida para um plano mais amplo.
Sob a liderança imediata de Javier Aguirre e com Rafa Márquez preparado para assumir o protagonismo nos próximos anos, a seleção tenta transformar um ciclo de incertezas em uma ponte para o futuro e para os desafios de 2030. TÉCNICO DA ÁFRICA DO SUL REENCONTRA RIVAL DE QUARENTA ANOS ATRÁS NUMA ABERTURA DE COPA Uma coincidência vai marcar a trajetória do treinador Hugo Broos à frente da África do Sul nesta quinta-feira. É que quatro décadas atrás, ele encarou o México no duelo de abertura do Mundial de 1986 com a Bélgica.
Agora, aos 74 anos e no posto de treinador, ele volta a ter os mexicanos pela frente em um jogo inaugural de Copa do Mundo. "Nem em Hollywood eles escrevem roteiros melhores", declarou o comandante. Em sua quarta participação em Mundiais, a equipe africana conta, e muito, com a experiência do goleiro e capitão Ronwen Williams para comandar o setor defensivo e aposta também na versatilidade do meio-campista Teboho Mokoena para tentar fazer frente aos rivais. Aos 25 anos, Lyle Foster é o trunfo dos "Bafana Bafana" para vencer as defesas adversárias.
Atacante do Burnley, da Inglaterra, ele vai para sua primeira Copa do Mundo com a missão de tentar levar o time à inédita etapa de eliminatórias do torneio.
FICHA TÉCNICA:
MÉXICO X ÁFRICA DO SUL MÉXICO - Rangel; Sanchez, Vasquez, Montes e Gallardo; Alvarez, Fidalgo e Chavez; Quinones, Jimenez e Alvarado. Técnico: Javier Aguirre.
ÁFRICA DO SUL - Williams; Mudau, Ndamane, Sibisi e Modiba; Adams, Mokoena e Mbatha; Appollis, Foster e Mofokeng. Técnico: Hugo Broos. ÁRBITRO - Wilton Pereira Sampaio (BRA).
HORÁRIO - 16h (horário de Brasília). LOCAL - Estádio Azteca, na Cidade do México (MEX).
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