Polêmicas Mundial terá 48 seleções, novas regras dentro de campo, país-sede em conflito armado e possíveis despedidas de ícones
ARTE: Gilmar

Quando a bola rolar para a Copa do Mundo de 2026, nesta quinta-feira (11), às 16h, na partida de estreia entre México e África do Sul, o torneio mais popular do planeta iniciará nova era. Pela primeira vez em 96 anos de história, o Mundial reunirá 48 seleções, será disputado em três países e terá mais de uma centena de partidas. A competição organizada por Estados Unidos, México e Canadá promete transformar a dimensão do evento, mas também chega cercada por polêmicas e questões geopolíticas.
A edição deste ano será a maior já realizada. O número de participantes saltou de 32 para 48, distribuídos em 12 grupos de quatro. Ao todo, serão 104 partidas ao longo de 39 dias, contra as 64 e cerca de um mês de competição nas edições anteriores. A expansão aprovada pela Fifa tem como argumento ampliar a representatividade global, abrindo espaço para países que historicamente encontravam dificuldades para alcançar uma vaga no Mundial. O resultado foi quatro países estreantes no torneio: Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão.
As mudanças alteram o formato da competição. Os dois primeiros colocados de cada grupo avançam ao mata-mata, acompanhados pelos oito melhores terceiros colocados. Pela primeira vez haverá uma fase eliminatória adicional antes das tradicionais oitavas. Com a criação dos 16 avos de final, os finalistas precisarão disputar oito jogos para levantar a taça, um a mais do que nas últimas Copas.
Nunca antes um Mundial havia sido dividido entre três países. Os jogos estarão espalhados por 16 cidades-sedes na América do Norte. O torneio também mobiliza um dos maiores esquemas de segurança da história do esporte, envolvendo centenas de agências e órgãos dos anfitriões.
Em campo, a Fifa aposta em uma Copa mais dinâmica. Novas regras foram implementadas para reduzir a cera entre os jogadores e acelerar o ritmo das partidas. Os árbitros poderão aplicar contagens regressivas para reposições demoradas em laterais e tiros de meta, enquanto substituições e atendimentos médicos passam a ter controles mais rígidos.
Já o VAR (árbitro de vídeo), que estreou em Copas do Mundo em 2018, terá poderes ampliados para revisar situações envolvendo possíveis erros em segundos cartões amarelos e decisões sobre escanteios, além de auxiliar correções rápidas sem a necessidade de revisão no monitor em determinados casos.
Outra novidade é a adoção de medidas mais rígidas de combate ao preconceito. A chamada “Lei Vini Jr.”, inspirada em episódios recentes de racismo denunciados pelo atacante brasileiro, passa a integrar o regulamento da competição e prevê punições mais severas para jogadores que tentarem ocultar comportamentos de discriminação em campo.
POLÊMICAS
Mas, se a Copa representa uma revolução no esporte, também carrega discussões que extrapolam as quatro linhas. Historicamente, os Mundiais estiveram ligados a contextos políticos delicados. A Itália fascista de Benito Mussolini recebeu a Copa de 1934, e em 1978, o torneio foi disputado na Argentina durante a ditadura militar comandada pelo general Jorge Rafael Videla.
Mais recentemente, a Rússia sediou a competição em 2018 sob críticas relacionadas à anexação da Crimeia e acusações de utilização do esporte para fortalecimento de sua imagem internacional. Em 2022, o Catar enfrentou questionamentos globais sobre direitos humanos e as condições de trabalho de imigrantes envolvidos na construção da infraestrutura do evento.
A edição 2026, porém, será a primeira a ocorrer com um dos países-sedes envolvido oficialmente em conflito militar em andamento. A tensão entre Estados Unidos e Irã atravessou os meses que antecederam o torneio e chegou a levantar dúvidas sobre a participação da seleção do Oriente Médio, que não poderá contar com seus torcedores nas arquibancadas por restrição dos norte-americanos.
E o tema já apareceu logo na chegada da delegação asiática à América do Norte, no último domingo. Os jogadores desembarcaram usando broches dourados com o número 168, em referência às crianças mortas em ataque norte-americano contra escola durante o conflito. Como medida de segurança e para evitar desgastes diplomáticos, a equipe estabeleceu sua base de treinos em Tijuana, no México, mesmo tendo compromissos nos Estados Unidos.
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BRASIL TENTA QUEBRAR JEJUM DE 24 ANOS
Para a Seleção Brasileira, a Copa representa mais do que a busca pela sexta estrela. O torneio marca a tentativa de encerrar um dos períodos mais longos sem títulos mundiais da história do País.
A última conquista brasileira ocorreu em 2002, na Copa disputada na Coreia do Sul e no Japão. Desde então, a Seleção acumulou eliminações traumáticas, como os 7 a 1 sofridos para a Alemanha em 2014 e as quedas diante de Bélgica e Croácia nas duas edições mais recentes. O jejum agora alcança 24 anos, igualando o maior intervalo entre títulos da história nacional, registrado entre o tricampeonato de 1970 e o tetra de 1994.
A missão de mudar esse cenário ficará a cargo de um personagem inédito. Pela primeira vez, o Brasil disputará uma Copa do Mundo sob o comando de um treinador estrangeiro, e o italiano Carlo Ancelotti, multicampeão por clubes europeus, precisará quebrar outro tabu: em todas as 22 edições anteriores da Copa do Mundo, a seleção campeã sempre foi comandada por um técnico de mesma nacionalidade.
Dentro de campo, a esperança brasileira passa por nomes como os atacantes Vinícius Júnior e Raphinha, além da principal estrela e camisa 10, Neymar, maior artilheiro da Seleção, com 79 gols marcados. O astro, porém, faz uma preparação conturbada, e com uma lesão de grau 2 na panturrilha direita, não jogará na estreia brasileira, sábado (13), diante do Marrocos.
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EDIÇÃO PODE TER ADEUS A PRINCIPAIS ESTRELAS DO SÉCULO
A Copa do Mundo de 2026 tem potencial para simbolizar uma passagem de bastão entre eras do futebol. Ao mesmo tempo em que pode ser a última participação dos principais nomes da modalidade no século XXI, o torneio também servirá como vitrine para atletas que devem protagonizar os próximos anos do esporte.
Entre os veteranos, as atenções se voltam especialmente para Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Aos 41 anos, o português disputa o que pode ser o seu último Mundial, com a meta de conquistar a primeira Copa do país europeu. Do outro lado está Messi, 38, que chega como atual campeão do mundo após liderar a Argentina na conquista de 2022. Ambos disputarão o torneio pela sexta vez, um recorde entre jogadores.
Simultaneamente, uma nova geração começa a ocupar espaço. No Brasil, os principais exemplos são os atacantes Endrick e Rayan. Nascidos em 2006, os atacantes fazem parte de uma geração que cresceu sem ver a Seleção levantar a taça mais importante do futebol.
Na Europa, o melhor representante da renovação é o ponta Lamine Yamal. Aos 18 anos, o atacante já é a principal referência técnica da Espanha, país apontado como um dos favoritos à taça, e chega ao Mundial entre os candidatos à estrela da competição.
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