Versões Agentes alegam que vítima estaria armada; conhecidos da vítima dizem que cena teria sido forjada
Reprodução

Morto a tiros durante uma abordagem feita pela GCM (Guarda Civil Municipal) de São Caetano, Emerson dos Santos da Silva, 22 anos, foi sepultado na manhã desta terça-feira (9) na Vila Alpina, bairro da Zona Leste da Capital.
Na abordagem, ocorrida neste domingo (7), Silva estava acompanhado por um amigo, o serralheiro João Carlos Pierre, 30, que também foi atingido por disparos.
Segundo o BO (Boletim de Ocorrência), a GCM avistou os envolvidos em uma motocicleta branca com placa dobrada na Avenida Guido Aliberti. Pela impossibilidade de visualizar a identificação, a equipe emitiu sinais sonoros e luminosos determinando a parada, que não foi obedecida. Deu-se início a uma perseguição que seguiu até a Capital.
Ainda de acordo com o registro, o passageiro (Silva) teria apontado uma arma de fogo. Diante disso, a GCM efetuou disparos contra a dupla, resultando na queda de Silva momentos depois. O condutor da motocicleta foi alcançado um pouco à frente. “Em revista pessoal, (a equipe) afirma ter localizado um revólver na cintura do abordado (Silva)”, relatou ainda o BO.
Após ser atingido, o jovem foi encaminhado ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos. O outro envolvido foi direcionado para a mesma unidade hospitalar e permanece internado. Conforme o documento policial, os guardas municipais também identificaram indícios de adulteração na moto.
FAMÍLIA CONTESTA
Familiares das vítimas contestaram a versão apresentada pelos agentes de São Caetano. A costureira e irmã de João Carlos Pierre, Larissa Maria da Silva, 24 anos, afirma que em nenhum momento a dupla estava armada. “Eles não estavam corretos ao não obedecer à ordem de parada, mas nada justifica a violência esdrúxula e a adulteração da cena do acontecimento. Só estamos pedindo justiça com honestidade”, comentou.
Em nota divulgada pela família, a desobediência à ordem de parada seria por falta de habilitação para condução. “Essa circunstância não justificaria a violência que se seguiu. A família afirma existir um vídeo que, em seu entendimento, levanta sérios questionamentos sobre a conduta adotada. As imagens indicariam a necessidade de uma investigação rigorosa para esclarecer a possível inclusão de uma arma na cena dos fatos”, prossegue o comunicado.
VÍDEO DIVULGADO
Em um vídeo que registrou a ocorrência e circula nas redes sociais, é possível ver parte da abordagem executada. Nas imagens, um GCM aparece rendendo João Carlos Pierre. Além disso, a filmagem mostra um outro homem deixando uma arma ao lado do serralheiro abordado.
De acordo com a Secretaria de Segurança de São Caetano, a arma deixada por um cidadão junto ao GCM seria do próprio guarda, que caiu durante a perseguição. “A versão de que o cidadão seria um policial à paisana e que teria deixado uma arma ‘aleatória’ no local em tentativa de atribuir o seu uso ao homem abordado (ferido) é inverídica.”
Conforme a administração, a arma dos envolvidos foi encontrada com Emerson e todos os procedimentos legais foram adotados. A Polícia Civil investiga o caso.
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