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Após mortes, Ministério da Saúde suspende uso de vacina contra a dengue do Butantan

Pasta informa que 42 reações adversas foram apresentadas entre as 500 mil pessoas que receberam o imunizante

09/06/2026 | 08:41
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FOTO: João Risi/MS
FOTO: João Risi/MS Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a Butantan-DV, vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada de forma preventiva após o registro de 42 reações que despertaram sinais de alerta entre um total de aproximadamente 500 mil pessoas imunizadas em diferentes regiões do País.

Segundo a Pasta, os casos incluem sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dentre as ocorrências notificadas, três foram classificadas como graves, incluindo duas mortes. Até o momento, não há conclusão sobre uma possível relação entre os eventos e a vacina.

De acordo com o Ministério da Saúde, os casos representam cerca de 0,008% do total de doses aplicadas até 30 de maio. A identificação ocorreu por meio do sistema de farmacovigilância, mecanismo de monitoramento utilizado pelo governo federal para acompanhar a segurança de novos imunizantes após sua introdução no SUS (Sistema Único de Saúde).

DGABC

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a interrupção segue o princípio da precaução. “Essa descontinuidade tem um objetivo. Primeiro, trata-se de uma ação de precaução que deve sempre orientar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda mais quando estamos falando de vacinação. Segundo, ela permite que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem a investigação dos casos, em especial dos óbitos registrados, para os quais ainda não há informações suficientes que permitam estabelecer uma relação de causalidade com a vacina”, afirmou o ministro.

A estratégia de vacinação com a Butantan-DV estava sendo aplicada em profissionais da Atenção Primária à Saúde e em pessoas de 15 a 49 anos em algumas áreas selecionadas do País. A campanha teve início em janeiro deste ano.

O Ministério da Saúde também comunicou que, “a partir de agora, as equipes de saúde irão reforçar a vigilância de pacientes vacinados que apresentem sintomas de dengue, com atenção especial para o reconhecimento de sinais de alarme e de gravidade. Também deverão intensificar a notificação de casos, acionar a vigilância local e garantir o encaminhamento imediato para atendimento clínico quando necessário.”

NO GRANDE ABC

No Grande ABC, a aplicação da Butantan-DV teve início em fevereiro deste ano. As sete cidades da região começaram a imunizar parte dos profissionais de saúde das redes municipais, dentro da estratégia nacional coordenada pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações).

A distribuição das doses foi coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde, com envio aos municípios de acordo com critérios técnicos e a capacidade operacional de cada região. Santo André recebeu 883 doses, São Bernardo, 2.527; São Caetano, 301; Diadema, 800; Ribeirão Pires, 100; e Rio Grande da Serra, 60. Mauá não confirmou a quantidade que recebeu à época.

‘País tem o melhor programa de vacinação do mundo’

Para o secretário de Saúde de São Bernardo e médico infectologista Jean Gorinchteyn, a decisão do Ministério da Saúde de interromper temporariamente a aplicação da Butantan-DV foi acertada e demonstra responsabilidade dos órgãos envolvidos na campanha de imunização.

Gorinchteyn destacou que a investigação deve analisar o perfil dos pacientes que apresentaram reações severas, incluindo possíveis doenças pré-existentes, condições imunológicas e eventual interação com outros medicamentos.

Segundo ele, embora os 42 eventos adversos representem uma parcela muito pequena das cerca de 500 mil doses aplicadas, os casos exigem uma apuração detalhada para verificar se existe relação direta entre a vacina e os quadros registrados.

“A partir do momento em que ela sai para campo e passa a ser ministrada para um grande número de pessoas, aumenta-se a chance de encontrarmos outros efeitos adversos que não foram identificados na fase de estudo”, disse.

O médico também ressaltou que a suspensão se aplica apenas à Butantan-DV. Outra vacina, a Qdenga, utilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua disponível normalmente nas unidades de saúde, seguindo o esquema de duas doses.

Ao comentar a importância da vacinação, Gorinchteyn lembrou que o PNI (Programa Nacional de Imunizações) é referência internacional e responsável por reduzir significativamente casos graves e mortes causadas por diversas doenças ao longo das últimas décadas. “O Brasil tem o melhor programa de vacinação do mundo. Graças a ele, crianças, adultos e idosos deixaram de evoluir para formas graves de diversas doenças”, afirmou.

O secretário também reforçou a gravidade da dengue no País e defendeu a continuidade das estratégias de imunização caso a vacina seja considerada segura após o término das investigações.




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