No Grande ABC Detenções na região ocorreram no primeiro quadrimestre de 2026 enquanto em todo ano de 2025 foram 67; maioria dos crimes acontece pela internet
FOTO: Freepik

A polícia cumpriu 141 mandados de prisão pelo crime de abuso sexual infantojuvenil no Grande ABC durante oito operações no primeiro quadrimestre deste ano. As detenções foram realizadas pelas seccionais de Santo André (65), São Bernardo (41) e Diadema (35) em toda a região, de acordo com levantamento feito pela SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) a pedido do Diário.
Nos 12 meses do ano passado, a polícia efetuou 67 prisões em 11 operações. Em 2024, as cidades registraram 80 mandados cumpridos durante 13 ações. O número acompanha o crescimento das denúncias e o trabalho de investigação. Para se ter uma ideia, em 2025 foram registradas 444 queixas no Disque 100, plataforma de notificações do governo federal, ante 370 em 2024, um aumento de 20%.
A Polícia Civil do Estado informou que os trabalhos incluem análise de denúncias por meio dos setores de inteligência policial, coleta de provas digitais, identificação de suspeitos e representação à Justiça para cumprimento de medidas cautelares, como mandados de busca e apreensão e de prisão.
A unidade especializada no enfrentamento destes crimes é a 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), localizado na Capital. “A Polícia Civil também emprega recursos de inteligência e tecnologia para identificar autores que utilizam ambientes virtuais para armazenar, compartilhar ou produzir conteúdo envolvendo abuso sexual infantil”, destacou a Pasta.
A delegada Raquel Gallinati explicou que grande parte das investigações envolvendo abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes possui componente digital. “Muitos casos começam a partir de denúncias sobre compartilhamento de imagens, armazenamento de material ilícito, grupos em aplicativos de mensagens, redes sociais ou situações de aliciamento virtual”, disse.
“A internet ampliou muito o alcance desses criminosos, que conseguem acessar vítimas em qualquer lugar do mundo. Porém, existe um mito de que a internet garante anonimato absoluto, e isso não corresponde à realidade. A atividade digital deixa rastros que podem ser analisados durante a investigação”, salientou.
A modalidade criminosa é uma das mais perversas e lucrativas do mundo, frequentemente associada a redes transnacionais e outras atividades ilícitas, conforme destaca a delegada.
“Existem indivíduos e organizações que exploram crianças e comercializam ou distribuem o material de abuso sexual infantil com finalidade de lucro, não somente motivados pela pedofilia enquanto transtorno ou preferência sexual. O impacto financeiro é expressivo, mas o dano humano é incalculável, porque cada arquivo representa uma vítima real sendo revitimizada continuamente”, enfatizou a delegada Raquel.
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Uma das prisões mais recentes na região ocorreu em Santo André, na quarta-feira (3). Um homem investigado pelos crimes de estupro de vulnerável e pornografia infantil foi preso em uma operação conjunta entre o GOE (Grupo de Operações Especiais) da Delegacia Seccional de Santo André e a PCPR (Polícia Civil do Paraná). Segundo as autoridades, o agressor utilizava uma rede de perfis falsos na internet para abordar as vítimas. Ele se passava por uma adolescente chamada Melissa para se aproximar da vítima.
A delegada Raquel Gallinati reforçou a importância da informação, diálogo e monitoramento para prevenir que os abusadores consigam praticar o crime. “Os pais precisam saber com quem seus filhos conversam no ambiente virtual da mesma forma que se preocupam com as amizades no mundo real. Também é importante criar um ambiente de confiança para que a criança relate qualquer abordagem suspeita sem medo de punição”, destacou Raquel Gallinati.
A atenção à forma de prevenção adotada por uma mãe de Diadema evitou, em abril deste ano, que seu filho de 12 anos fosse vítima de abuso e exploração sexual<CS10.4>. Ao monitorar as mensagens do garoto, a mulher descobriu que um homem de 23 anos o aliciava na internet. Ela então assumiu a conversa, marcou um encontro e acionou a Polícia Civil, resultando na prisão em flagrante do suspeito.
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