Economia Titulo Artigo

Futuro do Grande ABC não cabe só no Ideb

Renata de Abreu Barbosa
27/05/2026 | 08:57
Compartilhar notícia
FOTO: DGABC
FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Uma das maiores forças econômicas do País concentra-se no Grande ABC. A região construiu sua relevância na indústria, na produtividade e na geração de riqueza. Mas o futuro desse desenvolvimento dependerá cada vez mais de outro fator: a qualidade da educação.

Hoje, competitividade econômica, inovação e desenvolvimento social passam inevitavelmente pela formação de pessoas. E talvez seja justamente aí que comece uma das discussões mais importantes do país neste momento: afinal, como medir qualidade educacional?

Desde 2007, o principal instrumento utilizado para responder a essa pergunta é o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Ao combinar aprendizagem e fluxo escolar em um índice relativamente simples e comparável, o Ideb teve um papel decisivo na educação brasileira. O indicador ajudou a transformar aprendizagem em tema de debate público, ampliou a capacidade de acompanhamento das redes e permitiu que a sociedade cobrasse resultados dos gestores públicos.

DGABC

Nas últimas décadas, a educação passou a dialogar intensamente com economia, estatística, avaliação em larga escala e ciência de dados. Isso trouxe ganhos importantes. Políticas públicas precisam de evidências, indicadores são necessários e avaliação em larga escala teve papel histórico no Brasil. Sem medidas, não sabemos se os estudantes estão aprendendo.

Mas educação continua sendo um fenômeno humano complexo demais para caber integralmente em uma única métrica. Essas questões estiveram no centro do lançamento do livro Duas décadas de Ideb: resultados e perspectivas, realizado em 14 de maio no Insper, reunindo educadores, economistas, jornalistas e gestores públicos para discutir os impactos do indicador e a necessidade de seu aprimoramento. A obra está disponível gratuitamente no site do Iede.

E essa não é uma discussão distante da realidade do Grande ABC. Mesmo concentrando alguns dos maiores PIBs do País, a região ainda convive com desafios relacionados à aprendizagem e à equidade educacional. Melhorar médias significa reduzir desigualdades? O avanço alcança diferentes bairros, escolas e grupos sociais? O que os números mostram, e o que escondem ou até produzem?

Talvez o próximo passo seja compreender melhor aquilo que o Ideb consegue e aquilo que ele não consegue medir. O indicador cumpre um papel importante como referência nacional e muitos municípios ainda têm desafios importantes no alcance de suas metas. Mas cada cidade também precisa olhar para suas próprias realidades, desigualdades e desafios locais, construindo instrumentos capazes de orientar políticas públicas mais conectadas às necessidades concretas de sua população. No Grande ABC, discutir qualidade da educação é discutir também o projeto de futuro da própria região.

Renata de Abreu Barbosa é economista, pedagoga, coordenadora pedagógica e pesquisadora na área de aprendizagem e desenvolvimento humano.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;