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Anabolizantes podem levar à hipertofria cardíaca; saiba como prevenir

O influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, foi encontrado morto em seu apartamento na Mooca, em São Paulo, no último sábado (23)

26/05/2026 | 17:20
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FOTO: Reprodução/Instagram Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A morte do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, após um quadro de cardiomiopatia hipertrófica, reacendeu o debate sobre os impactos do uso de anabolizantes na saúde do coração. Com 1,7 milhão de seguidores nas rede sociais, Ganley compartilhava sua rotina de treinos e já tinha revelado o uso de hormônios anabolizantes em sua preparação física. Ele foi encontrado morto em seu apartamento na Mooca, em São Paulo, no último sábado (23). 

“Em muitos pacientes, o uso de anabolizantes em doses elevadas acaba levando à hipertrofia do coração. O coração cresce acima do normal porque ele também é um músculo. A hipertrofia que aumenta os músculos dos braços, das pernas, também aumenta o coração”, explica o cardiologista Herbert Lima Mendes, professor do Idomed (Instituto de Educação Médica). 

O que são os anabolizantes? 

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Cada vez mais populares para o ganho de massa muscular e melhoria de performance física, os EA (esteroides anabolizantes) são drogas sintéticas que têm como função central a reposição de testosterona, o principal masculino. 

Seu uso regular ocorre nos casos em que há déficit desse hormônio como, por exemplo, no envelhecimento. Entretanto, o uso sem supervisão médica para fins estéticos e de performance esportiva é proibido e altamente prejudicial à saúde. 


Insuficiência cardíaca 

A cardiomiopatia hipertrófica causa o espessamento anormal do músculo cardíaco, tornando-o mais rígido. Esse quadro dificulta o bombeamento de sangue e o relaxamento do coração, sendo uma das principais causas de morte súbita em jovens e atletas.

Lima Mendes destaca que, a longo prazo, o crescimento do coração pode causar a falha do órgão, levando a uma insuficiência cardíaca. Segundo o médico, entre atletas que usam anabolizantes é comum a ocorrência da chamada “Síndrome de Super Homem”. “Os atletas dizem que isso acontece com os outros, não vai acontecer comigo. Eu não vou ter nada”, afirma. 

O médico alerta, ainda, que a ânsia em apresentar resultados leva as pessoas a aumentarem a dose e o número de substâncias em uso e, por consequência, elevar o risco de morte. “Infelizmente, muitas pessoas usam anabolizantes sem fazer avaliação cardiológica. E, quando descobrem alguma doença, já estão em uma fase que não dá para fazer nada”, diz o médico. 

Fator genético 

A médica Marcely Bonatto, diretora da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), esclarece que a cardiomiopatia é uma doença de fundo genético, acometendo um em cada 500 indivíduos.  

“Muitas pessoas não sabem que têm por serem assintomáticas. Mas existe um grande pano de fundo de transmissibilidade genética. E essa doença pode se manifestar na segunda ou terceira década de vida”, afirma. 

Independentemente do uso de anabolizantes, ela acredita que Gabriel Ganley podia ser portador da cardiomiopatia e desconhecer a condição.  

Para ter certeza de que a morte do atleta foi causada exclusivamente pelo uso dessas substâncias, seria preciso avaliar exames cardíacos anteriores, a fim de detectar se ele tinha um coração estruturalmente normal que evoluiu para hipertrofia. 

“Se for considerar só o laudo da declaração de óbito, a gente poderia pensar que ele tem cardiomiopatia hipertrófica e tinha essa predisposição. Talvez já tivesse alterações e o anabolizante foi só um fator agravante, desencadeante da consequência. Mas não a causa absoluta”, afirma a médica. 

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