Oportunidade Iniciativa tem polos espalhados por 80 municípios e ajuda moradores durante processos seletivos
Débora conquistou independência financeira. FOTO: André Henriques/DGABC

Amenizar desigualdades no mercado de trabalho e viabilizar independência financeira de pessoas com deficiência que estão desempregadas. Esses são alguns dos objetivos do PEI (Programa de Empregabilidade Inclusiva), do Governo de São Paulo. Com polos espalhados por mais de 80 municípios, a iniciativa oferece encaminhamento para vagas, avaliação funcional e acompanhamento durante o processo de contratação. Moradores da região relatam que conseguiram encontrar novos horizontes com a iniciativa.
Em 2025, o programa registrou 6.722 oportunidades e 960 profissionais incluídos - recorde desde o início do projeto. Apenas no Grande ABC, foram 91 vagas abertas e 30 pessoas aceitas.
Entre os beneficiários está a moradora de Santo André Débora Cristina Coelho Bensi, de 51 anos. Formada em Direito e diagnosticada com autismo, ela afirma que passou anos enfrentando dificuldades de adaptação em ambientes corporativos e até mesmo durante a graduação. Após o marido perder o emprego depois da pandemia, a família investiu as economias em uma franquia, mas acabou perdendo o dinheiro e entrou em uma crise financeira.
“Chegamos a ter água, luz e internet cortadas. Foi uma situação muito difícil dentro de casa. Hoje, eu consigo trabalhar, ajudar financeiramente e ter uma perspectiva de futuro. Parece simples, mas conseguir sentar com a família para comer uma pizza no fim do mês virou uma felicidade enorme para nós, e eu só consigo isso devido ao programa”, relata.
Débora conheceu a ação enquanto buscava vagas voltadas a pessoas com deficiência na internet. Após entrevistas e avaliação funcional, foi encaminhada para uma vaga no Grupo Raízes, onde trabalha na assistência paralegal.
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“O diferencial foi o acolhimento. Eles acompanharam a entrevista, deram suporte durante a contratação e ajudam até hoje. Quando eu tenho alguma dificuldade, consigo falar com o coordenador do programa e explicar o que está acontecendo”, afirma.
Apesar do avanço, Débora avalia que muitas empresas ainda contratam apenas para cumprir exigências legais, sem promover inclusão efetiva no ambiente corporativo. “A inclusão de verdade não é só contratar. É ouvir a pessoa, adaptar o ambiente e entender que cada deficiência tem necessidades diferentes. Quando a empresa faz isso, ela se torna mais humana para todo mundo.”
Em São Bernardo, Samanta Bettini, 47 anos, ficou um ano desempregada e só retomou ao mercado de trabalho a partir do projeto. Agora, ela atua há oito meses na organização de romaneios, notas fiscais e arquivos administrativos da Br Supply. “É muito bom ter o seu próprio dinheiro, não precisar pedir para os outros. Consigo comprar minhas coisas, ter minha independência. Depois que a gente volta a trabalhar, as coisas mudam bastante.”
Segundo o secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, o programa visa promover acompanhamento contínuo e estreitar laços entre trabalhadores e empresas. “É uma forma de ampliar o acesso a oportunidades de trabalho, renda e qualificação profissional, bem como promover a diversidade e a inclusão. Nos PEIs, as pessoas com deficiência fazem entrevistas de habilidades, competências e interesses profissionais, e recebem orientações de cursos gratuitos de qualificação técnica e empreendedorismo.”
Os endereços dos polos do PEI estão disponíveis em www.servicos.sp.gov.br.
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