União Ato inter-religioso reuniu representantes de diferentes crenças no Auditório da Cúria Diocesana, no Centro, na tarde deste domingo (17)
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

Lideranças de diferentes tradições religiosas participaram, na tarde deste domingo (17), do Ato Inter-Religioso pela Paz, no Centro andreense. Promovido pela Diocese de Santo André em parceria com a Acat (Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura), o encontro reuniu representantes católicos, evangélicos, islâmicos, indígenas, de religiões de matriz africana e da Fé Bahá’í (religião monoteísta originada na antiga Pérsia, atual Irã). A iniciativa teve como objetivo reforçar o diálogo entre crenças e defender a convivência respeitosa diante do avanço da intolerância religiosa.
O padre Dayvid da Silva, representante da Comissão para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Diocese de Santo André, destacou que o objetivo do encontro não foi promover debates, mas reunir diferentes crenças em um ato conjunto de oração. Segundo ele, o momento simboliza a união entre as religiões diante de um cenário marcado por guerras, violência e conflitos sociais.
“É importante que as lideranças se unam para que a paz seja uma palavra comum entre nós. E não apenas uma palavra, mas um ato comum”, afirmou. O religioso também destacou que o encontro busca reforçar a fraternidade e incentivar o diálogo entre diferentes crenças.
O coordenador do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina, Sheik Kamal Chahin, afirmou que o encontro possui um significado profundo por reunir pessoas de diferentes culturas, crenças e tradições em torno da humanidade. “A dor não tem religião. A fome não tem religião. As bombas não escolhem entre muçulmanos, cristãos, judeus e outras religiões”, declarou. O representante islâmico também defendeu que falar sobre paz exige discutir justiça, consciência e defesa da vida humana.
O pastor Levi Araújo relacionou a mensagem cristã aos conflitos sociais e políticos da atualidade e afirmou que o ensinamento de Jesus se contrapõe a modelos sustentados pelo medo, pela opressão e pela violência. “A paz do mundo é comprada, manipulada e condicionada. Ela custa vidas humanas, a destruição da nossa casa comum e dos nossos biomas. Também custa coerência, dignidade, honra e até democracias. E não é essa a paz que Jesus quer oferecer.”
Representando a umbanda, pai Marlon destacou os avanços do diálogo inter-religioso nos últimos anos. “O País vive um momento complicado em relação ao preconceito, mas, no passado, nem sequer existia espaço para esse tipo de iniciativa”, afirmou.
Já o pai de santo Eduardo de Xangô, do candomblé, denunciou o racismo religioso em crenças de matriz africana. “A gente vê uma crescente violência e intolerância religiosa acontecendo não só em Santo André, mas no Brasil e no mundo inteiro. Sabemos que religiões de matrizes africanas sofrem preconceito não pelas roupas que usamos ou a religião que cultuamos, mas sim pela nossa cor.”
A representante dos povos indígenas, Elaine Pankará, afirmou que participou do encontro em defesa da paz e destacou a importância do respeito entre as diferentes crenças. “Estar reunido com o mesmo propósito mostra que existem diversas formas de se conectar com Deus”, declarou.
O sacerdote Brâhmana Mahesvara Caitanya Das Goura Vanacari, representante da ISKCON (Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna), defendeu a importância de compreender as diferenças. “Quando a gente leva o outro em consideração, leva a diferença do outro em consideração antes de tomar as próprias decisões, isso tem um nome: respeito”, afirmou.
Já Maria de Lourdes, membro da comunidade Bahá’í em Santo André, ressaltou princípios ligados à unidade entre os povos e à eliminação de preconceitos. “Vemos nações com tanta dificuldade e milhões de pessoas na ignorância”, afirmou. Segundo ela, a construção da paz depende da união entre as pessoas e de ações concretas no cotidiano.
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