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Estratégia Saúde da Família aproxima população do SUS

Com 95 equipes nas UBSs de Diadema, modelo assistencial realiza visitas domiciliares, busca ativa e acompanhamento de vulneráveis

17/05/2026 | 09:26
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A ESF (Estratégia Saúde da Família) se consolidou como uma das principais portas de entrada da população de Diadema para o SUS (Sistema Único de Saúde). Com 95 equipes distribuídas nas 20 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município, o modelo tem como objetivo realizar visitas domiciliares, busca ativa, acompanhamento e monitoramento de famílias em maior vulnerabilidade para ampliar o acesso à saúde. 

Segundo a Prefeitura, o território conta atualmente com 424.831 pessoas cadastradas no modelo prioritário. A maioria da população atendida é composta por mulheres, que representam 54% dos cadastros, com predominância de moradores na faixa etária entre 20 e 44 anos. O perfil demográfico também revela presença expressiva de crianças e aumento da população idosa.

O secretário municipal da Saúde, Antonio Carlos do Nascimento, avalia que a estrutura da Atenção Primária é um dos principais pilares da rede pública de Diadema e atribui o desempenho do município justamente à cobertura da Estratégia Saúde da Família.

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“É um privilégio termos essa cobertura da Estratégia da Saúde da Família. Diadema é o representante do Grande ABC com a melhor classificação no levantamento Acesso à Saúde, de acordo com o Ranking de Competitividade dos Municípios. Diadema é a cidade que mais contempla, a que mais agrega nesse quesito”, afirmou o gestor. De acordo com o secretário, cada equipe atende, em média, cerca de 4.200 moradores. A meta da administração é ampliar ainda mais a cobertura para reduzir essa proporção até chegar a 3.500 por equipe.

“Praticamente 100% da cidade é coberta pelas equipes de saúde da família. Isso permite um acompanhamento muito mais próximo da população”, destacou.

Foi em uma das diversas UBSs do município, a unidade Jardim ABC, que a vida da dona de casa Maria Marly Ferreira da Silva, de 53 anos, tomou um novo rumo. Moradora do bairro Taboão, ela recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin e destaca que o acolhimento oferecido pela equipe da unidade foi essencial para dar início ao tratamento.

A dona de casa passou a apresentar sintomas em dezembro do ano passado, enquanto estava no Ceará, cuidando da mãe. “Suava muito, não conseguia comer e fui emagrecendo rápido. Quando cheguei em São Paulo, já tinha perdido uns oito quilos”, contou. Foi só na UBS de Diadema que ela recebeu os primeiros atendimentos e uma avaliação precisa, confirmada posteriormente por meio de exame.

“Só de me ver e ouvir os sintomas, o médico da família que me atendeu falou que tinha quase certeza que era um linfoma. Pediu para realizarmos a tomografia o quanto antes”, relatou.

Depois da confirmação, Maria iniciou a busca por vaga para tratamento oncológico na rede pública. “Hoje está muito bom. Já estou no segundo ciclo da quimioterapia. Antes não conseguia ficar em comer, ficar em pé, nem fazer nada sozinha. Agora já melhorei muito”, afirmou.

A paciente também destacou o suporte oferecido pelo município durante o tratamento, incluindo o transporte para as consultas. “A cada 15 dias, o carro da Prefeitura me leva e me traz. Isso ajuda muito, porque é um custo que nem todo mundo consegue arca”, disse.

Para Maria, o atendimento recebido desde a UBS foi determinante para que o quadro fosse identificado rapidamente. “O médico foi muito importante nisso tudo. Não enrolou, foi direto e falou que precisava correr atrás do tratamento porque o quadro estava se agravando. Graças a Deus deu tempo”, completou.

VIDAS DO SUS

Esta é a quinta reportagem da série que aborda as boas práticas do SUS nos municípios do Grande ABC. No próximo domingo (24), será publicada a sexta história.

Humanização no atendimento intelectual

O acolhimento às famílias e o atendimento multidisciplinar especializado têm sido os pilares do trabalho desenvolvido pela Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Diadema. Com atuação nas áreas da saúde, educação e assistência social, a instituição atende crianças, adolescentes e adultos com deficiência intelectual, TEA (Transtorno do Espectro Autista), deficiências múltiplas e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor.

Somente na área da saúde, o Saedi (Serviço de Atendimento Especializado em Deficiência Intelectual), gerido pela entidade, oferece acompanhamento em fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia.

Conveniado e regulado pela Secretaria de Saúde de Diadema, o serviço funciona de forma integrada à rede pública. O fluxo de encaminhamento começa pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e chega à Apae conforme a disponibilidade de vagas. 

Atualmente, a instituição conta com oito terapeutas, responsáveis pela realização de cerca de 1.200 procedimentos por mês para aproximadamente 290 pacientes, além de oferecer orientação às famílias.

A concierge Daniele Baier, 36 anos, moradora do bairro Taboão, acompanha o filho Pietro, 3, no equipamento desde os quatro meses de vida, após encaminhamento feito pela UBS Jardim ABC. Mãe de uma criança com Síndrome de Down, ela relata que encontrou acolhimento logo no primeiro contato com a entidade. “Quando a mãe se sente ouvida e cuidada, isso faz toda a diferença. Eles são o nosso suporte, a base de todo o direcionamento”, afirmou.

Segundo a mãe, além da qualidade técnica dos atendimentos, o cuidado humanizado oferecido pelas equipes também impacta diretamente as famílias que enfrentam a rotina de crianças com deficiência.

O presidente da APAE Diadema, André Antunes Garcia, afirma que a humanização é um dos princípios centrais da instituição. “As pessoas não fazem apenas o trabalho técnico. Existe muito amor envolvido. A dedicação das equipes vai além do atendimento ao paciente e alcança toda a família”, declarou. De acordo com ele, o crescimento dos diagnósticos de TEA nos últimos anos aumentou a demanda por atendimentos especializados, trazendo novos desafios estruturais e financeiros para a entidade.

A Apae conta com 92 funcionários e realiza cerca de 711 atendimentos mensalmente.

CENTRO TEA

Entre os projetos futuros de Diadema está a inauguração do Centro TEA, prevista para 2028. O espaço terá 650 metros quadrados de área construída e reunirá, em um só local, atividades de saúde e educação voltadas ao desenvolvimento de crianças e adolescentes com autismo. O centro contará com auditório, biblioteca, quadra, salas multiuso, espaço sensorial e áreas de atendimento médico, psicopedagógico e clínico. 

Reforço e reestruturação na urgência e emergência 

Com ampliação de leitos, reformas estruturais e reorganização da rede municipal, Diadema fortalece a estrutura de urgência e emergência como uma das principais frentes da saúde pública no município. 

O secretário municipal da Saúde, Antonio Carlos do Nascimento, afirmou que a cidade conseguiu estruturar uma rede integrada entre os equipamentos. “Nós temos uma urgência e emergência bem articulada entre os nossos equipamentos”, afirmou o secretário. Segundo ele, o Hospital Municipal absorve os casos mais graves encaminhados pelas demais unidades.

Um dos principais investimentos destacados pela gestão foi a ampliação de leitos. De acordo com a Prefeitura, o Hospital Municipal possui atualmente 173 leitos clínicos e cirúrgicos, além de 57 leitos de PS (Pronto-Socorro). Até dezembro de 2025, o equipamento contava com 41 leitos de PS, número que subiu após as reformas.

Além do hospital, a rede municipal conta com 59 leitos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Centro e outros 24 na UPA Paineiras. O secretário afirmou que a gestão agregou aproximadamente 60 novos leitos desde o início da gestão do prefeito Taka Yamauchi (MDB), considerando ampliações realizadas nas unidades de urgência e emergência. 

Dados de janeiro deste ano mostram que o Hospital Municipal atende entre 500 e 600 pessoas por dia. A média diária de internações varia entre 28 e 30 pacientes. 

Outro dado destacado pela administração é o índice de satisfação dos usuários. Pesquisa aplicada ao final dos atendimentos apontou que a aprovação do pronto-socorro chegou a 83% de avaliação entre “bom” e “ótimo” em 2025, crescimento de 151,52% em relação a 2024, quando o índice era de 33%.

Para o secretário, a reorganização da rede também permite eliminar um problema histórico enfrentado pela população. “Retiramos completamente as macas dos corredores. Isso era um sofrimento para o público e para os profissionais também”, afirmou.

ESPECIALIDADES

Na última quinta-feira (14), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entregou, ao lado do prefeito Taka Yamauchi, o Viva + Diadema – Engenheiro Osvaldo Misso, Centro Médico de Especialidades de Diadema, que passou por revitalização e teve o horário ampliado de atendimento. 

A expectativa do Paço é de que o número de atendimentos diários, entre consultas, exames e cirurgias, cresça entre 60% e 80% a partir de junho. Entre as especialidades contempladas estão audiometria, cardiologia, dermatologia, neurologia adulta e pediátrica, ortopedia, otorrinolaringologia, oftalmologia e proctologia. 

Tecnologia acelera entrega de próteses dentárias e ajuda a reduzir fila

A Prefeitura de Diadema iniciou neste ano uma força-tarefa para reduzir a fila de pacientes que aguardam próteses dentárias na rede municipal. Segundo o secretário municipal da Saúde, Antonio Carlos do Nascimento, a demanda acumulada era de aproximadamente 6.000 pessoas.

O atendimento passou a ser realizado por meio do programa Sorriso Novo, que utiliza escaneamento digital e impressão em 3D para a confecção das próteses odontológicas.

Em abril deste ano, a Secretaria da Saúde iniciou a triagem de pacientes para implantação de próteses dentárias com fluxo digital nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) Casa Grande e Promissão.

Nesta primeira etapa, os pacientes foram convocados para avaliação odontológica inicial, além da realização de procedimentos necessários antes da colocação da prótese, como restaurações e extrações dentárias.

Após a avaliação nas UBSs, os pacientes são encaminhados ao CEO (Centro de Especialidades Odontológicas), localizado no Quarteirão da Saúde/Viva + Diadema, onde é realizado o escaneamento digital da arcada dentária.

Os dados coletados são processados em sistema digital e, posteriormente, a prótese é produzida por impressão 3D. Segundo a Prefeitura, todo o processo leva cerca de três semanas.

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