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Grande ABC movimentará R$ 1,75 a cada R$ 100 consumidos no Brasil

Pesquisa exclusiva estima em R$ 150,4 bilhões o montante que circulará nas sete cidades em 2026, alta de R$ 6,5 bi em relação ao ano passado

Beatriz Mirelle
17/05/2026 | 09:47
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FOTO: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
FOTO: Marcello Casal Jr/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC será responsável por R$ 1,75 a cada R$ 100 gastos no Brasil neste ano. A região mantém o quarto maior potencial de consumo nacional, atrás apenas das capitais São Paulo (R$ 7,57), Rio de Janeiro (R$ 4,03) e Brasília (R$ 1,98). Os dados foram levantados pelo IPC Maps e fornecidos com exclusividade ao Diário. De acordo com o levantamento, o protagonismo da região teve aumento real (descontada a inflação) de R$ 6,5 bilhões entre 2025 e 2026.

“As sete cidades voltaram a ter destaque. A região perdeu muito nas últimas décadas por causa do esvaziamento industrial e recuo da força do setor automobilístico, com a saída de montadoras e empresas dessa cadeia. Mas, de forma gradativa, tem recuperado seu potencial”, analisa o sócio da IPC Marketing Editora Marcos Pazzini. 

Ele explica que as boas projeções para 2026 foram registradas na maioria das capitais e regiões metropolitanas. “Isso ocorre, principalmente, pelo aumento significativo de empregos com carteira assinada. Os municípios começam a se beneficiar disso e ter maior potencial de consumo em detrimento das cidades do interior, que vão demandar tempo maior para chegar nesse nível.” O total de consumo esperado para a região é R$ 150,4 bilhões, alta nominal de 10,45% em comparação a 2025 (R$ 136,2 bilhões).

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Pazzini destaca que 2026 será um ano desafiador para a economia nacional, já que “as recentes guerras ao redor do mundo têm impactado diretamente o bolso dos brasileiros, em função da possibilidade de aceleração inflacionária”. Cita ainda a alta quantidade de feriados, a Copa do Mundo e as eleições estaduais e federais, que repercutem sobre o desempenho do mercado. 

No Grande ABC, os maiores gastos estão previstos no setor de habitação (R$ 41,7 bilhões). Depois, aparece o grupo ‘outras despesas’ (R$ 27,7 bilhões), veículo próprio (R$ 16,5 bilhões), alimentação no domicílio (R$ 12,3 bilhões) e materiais de construção (R$ 6,1 bilhões). 

“Habitação é tudo o que diz respeito à moradia, como aluguel, contas de energia elétrica, de água, de internet, pequenos reparos. Há um comprometimento grande da renda da população, porque esses custos pesam demais do orçamento doméstico. Em seguida, ‘outras despesas’ é um grupo grande, que inclui gastos como cabeleireiro, manicure, fotocópias, custos com animais de estimação etc.”, detalha Pazzini.

Individualmente, Santo André é a cidade da região com maior potencial de consumo, na 15ª posição no Brasil. A cada R$ 100 gastos no País, R$ 0,55 ficam no território andreense. Ao subir uma posição em comparação ao ano passado, o município está em quarto lugar no Estado, atrás somente da Capital, Campinas e Guarulhos.

São Bernardo, que em 2025 ocupou o 16º lugar, caiu para 18º no ranking nacional e sexto no estadual, ao perder também para Ribeirão Preto. O consumo local representa R$ 0,52 de cada R$ 100 no País. 

“Ambos tiveram alta na participação de consumo. A diferença é que São Bernardo teve crescimento menor. A cidade ainda depende muito da indústria automobilística, que passa por oscilações. Santo André é mais forte na questão de serviços”, analisa Pazzini.

A economia nacional deve movimentar R$ 8,6 trilhões ao longo deste ano, crescimento real de 2,3% ante o movimento positivo do PIB (Produto Interno Bruto), cuja expectativa é de 1,8%. 

No cenário nacional, a classe C, presente na metade (49,7%) das residências, representa quase R$ 2,6 trilhões (36,9%) dos gastos nacionais e lidera de forma inédita o panorama. Já no Grande ABC, com 1.016.255 domicílios urbanos, o panorama é guiado pela Classe B, que indica 25,6% dos imóveis, mas tem potencial de movimentar R$ 59,4 bilhões (39,6%). Em seguida, classe C (53,4% dos municípios) assume R$ 53,2 bilhões (35,4%). classe A (4,9%), com uma circulação de cerca de R$ 29,9 bilhões (19,9%). classes D e E (16,1% imóveis), com R$ 7,6 bilhões (5,1%). 

A pesquisa também indica que a região possui 420.088 empresas, alta de 11% em comparação a 2025, quando tinha 378.491 O destaque é o setor de serviços, com 285.358 firmas. Depois, comércio (76.107), indústria (58.037) e agronegócios (586).

Prefeitos avaliam que índices são capazes de atrair investimentos

O fortalecimento do potencial de consumo municipal exposto em indicadores como o IPC Maps é capaz de trazer holofotes e garantir novos investimentos. Essa é a avaliação dos prefeitos Gilvan Ferreira (Cidadania), de Santo André, e Marcelo Lima (Podemos), de São Bernardo. Entre as 20 cidades com melhor desempenho do ranking nacional, lideranças destacam empenho em modernização urbana, ampliação de mercado de trabalho, apoio ao empreendedorismo e desburocratização de processos como justificativas.

“Santo André liderou a geração de empregos no Grande ABC, com saldo positivo de 1.904 novas vagas formais em março, segundo dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Quando a cidade gera vagas, aumenta a renda das famílias, fortalece o comércio e amplia o potencial de consumo. O IPC Maps confirma exatamente isso. Mais desenvolvimento, confiança e atração de investimentos”, afirma Gilvan. 

Ele aponta que indicadores como esse são acompanhados de perto por investidores e empresas para mapear oportunidades de crescimento, circulação de renda e potencial para novos negócios. “Estar à frente de capitais, como Florianópolis (que ficou em 21º lugar), reforça que nossa cidade possui um mercado consumidor forte, uma economia dinâmica e uma população com grande capacidade de consumo.”

O prefeito Marcelo Lima indica que, desde o ano passado, São Bernardo tem focado em políticas de apoio para atrair novas companhias e estimular micro e pequenos negócios. De acordo com ele, essas medidas aceleram o estímulo econômico local e geram impactos diretos nas comunidades. 

“Mais do que aumentar o poder de compra das famílias, os avanços atraem olhares de empresas que passam a apostar em São Bernardo pelo potencial de crescimento. Nossa cidade liderou em 2025, por exemplo, a lista regional de abertura de negócios formais, com a abertura de mais de 24 mil empreendimentos.”

Entre as estratégias que geraram bons resultados, ele destaca os feirões de emprego,com feiras setoriais para a panificação e voltadas às mulheres. “Também criamos a Central de Trabalho e Renda Móvel, que amplia a conexão com o mercado de trabalho.”

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