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Jovens impulsionam alta de pessoas que moram sozinhas no Brasil

Dados do IBGE mostram aumento de domicílios unipessoais, impulsionado por mudanças econômicas, culturais e geracionais

Yuri Kumano
Especial para o Diário
16/05/2026 | 13:24
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FOTO: Freepik Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de pessoas que vivem sozinhas no Brasil tem crescido de forma consistente nos últimos anos e já representa uma mudança significativa no perfil das famílias brasileiras. Dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada em abril deste ano pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que, em 2025, 19,7% dos domicílios do País eram compostos por apenas um morador, um aumento expressivo em relação aos 12,2% registrados em 2012.

Apesar da maioria da população ainda viver com cônjuge ou familiares, o crescimento de 7,5% nas moradias unipessoais apresenta uma transformação social em curso. O fenômeno é mais comum entre jovens e adultos até 59 anos, embora também haja uma parcela significativa de idosos vivendo sozinhos, especialmente mulheres com mais de 60 anos.

Para o economista Sérgio Cerrada, coordenador de Relações Governamentais na Escola da Nuvem, essa mudança é resultado de uma combinação de fatores estruturais. “O aumento das moradias unipessoais está ligado ao crescimento da renda individual, à maior expectativa de vida e a mudanças no comportamento das novas gerações, que valorizam autonomia, privacidade e mobilidade”, explica.

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Além disso, Cerrada destaca o papel das grandes cidades nesse processo. Segundo ele, a expansão de imóveis compactos e o avanço do trabalho remoto têm facilitado esse tipo de arranjo. “Morar sozinho deixou de ser apenas uma necessidade e passou a representar uma escolha ligada ao trabalho e ao estilo de vida”, afirma.

Essa realidade, no entanto, não é vivida da mesma forma por todos. O artista Pedro ‘Hanzo’, 23 anos, morador de Santo André, na Vila Palmares, passou a viver sozinho após o falecimento da avó, em março de 2024, com quem dividia a casa.

Para ele, a experiência veio acompanhada de desafios inesperados. “É algo que me traz um custo muito elevado. Morar sozinho sendo tão novo te deixa um pouco perdido em questão do que comprar e quando comprar”, relata. Ele conta que, muitas vezes, pela falta de tempo, acaba priorizando a praticidade em vez da economia. “Faço as compras no mercado mais próximo, sem pesquisar muito os preços”, explica.

Pedro ainda afirma que pretende se mudar em breve. “Estou procurando algumas casas, pretendo me mudar com um amigo, mas ainda não tem nada definido”, diz.

Já o estagiário e professor de vôlei Stefan Pokropek, 25 anos, vive sozinho por escolha. Morador de São Caetano, no Bairro Santa Paula, ele decidiu permanecer na região do Grande ABC mesmo após a mudança da mãe para o litoral. “Eu tinha muita vontade de morar sozinho, mas também foi uma necessidade por conta do trabalho”, explica.

Apesar de valorizar a liberdade, Pokropek reconhece as dificuldades financeiras. “Se você não trabalha, não consegue viver. Eu faço diversos trabalhos, tento gastar pouco, mas mesmo assim ainda fico com algumas contas. Às vezes, deixo de pagar uma para pagar outra”, relata. Ainda assim, ele não pensa em voltar a dividir moradia. “É muito bom, sinto muita liberdade. Você é dono do seu próprio espaço, pode fazer o que quiser e quando quiser”, comenta.

Segundo Cerrada, o perfil de quem mora sozinho é bastante diverso, mas há tendências: jovens adultos com maior escolaridade, profissionais ativos e idosos independentes compõem a maior parte desse grupo. Entre os mais jovens, pesa a mudança cultural em relação ao casamento e à formação de uma família.

A expectativa é de que esse número continue crescendo nos próximos anos. “O Brasil passa por mudanças importantes, como redução do tamanho das famílias, envelhecimento populacional e novas dinâmicas de relacionamento”, afirma o economista. Ele também destaca impactos econômicos diretos, como o aumento da demanda por imóveis menores, serviços personalizados e consumo individual.

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