Apoio Abiquim solicita a prefeitos do Grande ABC ação conjunta para baratear insumos e fortalecer polo químico da região
André Henriques/DGABC

A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) solicitou apoio institucional e político do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC para fortalecer uma agenda de redução de tarifas e custos de produção do setor junto à União. O pleito foi apresentado nesta terça-feira (12) , durante reunião realizada na sede da entidade regional, com a presença de quatro dos sete prefeitos da região, entre eles, o presidente do colegiado, Guto Volpi (PL), de Ribeirão Pires, que garantiu a pretensão de participar das discussões.
Segundo o presidente da associação, André Passos, a região concentra aproximadamente 30% da produção brasileira de químicos industriais, parcela que representa cerca de 70% de toda a produção nacional do segmento. Apesar da relevância econômica do polo petroquímico, na divisa de Santo André e Mauá, o dirigente afirmou que a indústria brasileira enfrenta forte pressão provocada pela concorrência de produtos importados, especialmente dos Estados Unidos e da China.
“Essa competição desleal está nos levando a pôr um freio na produção de produtos químicos no Brasil e, em especial, aqui nesse polo tão representativo. Poderíamos estar produzindo no Brasil a plena carga, mas estamos produzindo somente a 65% da nossa capacidade. Então, 35% do nosso potencial de produção não está sendo movimentado. São empregos, renda e arrecadação de tributos em nível municipal, estadual e federal que não estão sendo gerados”, ponderou Passos.
Ao colegiado, a Abiquim defendeu que a indústria química brasileira necessita ter acesso à matéria-prima mais barata. De acordo com dados apresentados pela entidade, o setor paga, no Brasil, até US$ 16 (equivalente a R$ 78,60), ao gás natural, enquanto nos Estados Unidos, o valor pelo insumo cai para US$ 3 (R$ 14,74), por milhão de BTUs (Unidade Térmica Britânica) – equivalente a 26,8 metros cúbicos de gás natural –, medida internacional utilizada para medir energia térmica e o poder calorífico de combustíveis.
Passos citou levantamento baseado em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicando que, caso o setor retomasse, em 2025, o mesmo nível de produção registrado em 2013, o Estado de São Paulo poderia arrecadar cerca de R$ 20 bilhões adicionais por ano em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), cenário que significaria mais dinheiro aos municípios na divisão do tributo. “Nosso desafio é fazer com que as fábricas aqui rodem mais, produzam mais e gerem mais empregos”, disse.
Desse modo, a Abiquim busca apoio dos municípios para fortalecer medidas de defesa comercial da indústria brasileira. O presidente da associação afirmou que pretende articular agenda conjunta envolvendo prefeitos de regiões industriais de São Paulo – incluindo o Grande ABC –, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, com o objetivo de levar as demandas ao governo federal, especialmente aos ministérios da Indústria, de Minas e Energia, e da Casa Civil.
Guto Volpi afirmou que a entidade regional deve ampliar a participação nas discussões envolvendo a defesa do Polo Petroquímico. Segundo o presidente do colegiado, o fato de cerca de um terço da produção química nacional estar concentrada no Grande ABC exige atuação conjunta dos prefeitos em defesa da indústria, da geração de empregos e do desenvolvimento econômico regional. “Devemos mergulhar de cabeça nesse debate da questão tarifária pelo crescimento econômico sustentável na região”, ressaltou.
O colegiado ainda definirá o calendário sobre a pauta do setor. Participaram também da reunião, ontem, os prefeitos Marcelo Lima (Podemos), de São Bernardo, Marcelo Oliveira (PT), de Mauá, e Taka Yamauchi (MDB), de Diadema.
SEGURANÇA
O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC realizou na manhã desta terça-feira a entrega de sete motocicletas, modelos Kawasaki Versys, que passarão a integrar as GCMs (Guardas Civis Municipais) das sete cidades da região. Cada unidade custou R$ 35,7 mil, totalizando aproximadamente R$ 250 mil para toda a frota, conforme noticiado previamente pelo Diário. Os veículos foram comprados pela instituição regional por meio de adesão à ata de registro de preços da Polícia Militar e encaminhados aos municípios.
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