Alerta Óbito foi registrado no município de Santo André em um paciente entre 50 a 64 anos; uma morte suspeita é investigada em Rio Grande da Serra
FOTO: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Grande ABC confirmou a primeira morte por dengue em 2026. O óbito foi registrado em Santo André, em uma paciente de 63 anos, segundo dados do Nies (Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde) do governo estadual. Além da confirmação, ainda é investigada uma morte suspeita em Rio Grande da Serra. Em todo o Estado, a doença já matou 15 pessoas neste ano.
Segundo a Prefeitura de Santo André, a vítima fatal era do sexo feminino e foi internada no dia 24 de abril. O óbito foi confirmado dois dias depois, em 26 de abril, em um hospital particular da cidade. A administração municipal informou ainda que a paciente havia viajado para o município de Tupi Paulista, no interior, e teria retornado já infectada com a doença.
A nota também esclarece que a GCZ (Gerência de Controle de Zoonoses) realiza visitas rotineiras casa a casa. Durante as ações, agentes de controle de endemias percorrem as residências para identificar e eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti. O órgão também realiza monitoramento quinzenal de locais com grande acúmulo de recipientes, como ferros-velhos, borracharias e cemitérios.
“As equipes fazem o bloqueio de transmissão em um raio ao redor do local da residência da paciente falecida”, concluiu o Paço.
Já a Prefeitura de Rio Grande da Serra confirmou que um óbito suspeito relacionado à dengue segue em investigação. Segundo a Vigilância em Saúde do município, a vítima é do sexo masculino e o caso continua em análise epidemiológica junto ao CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica). A administração informou que não pode divulgar mais detalhes neste momento.
CASOS CONFIRMADOS
Apesar da confirmação da morte, os números da dengue na região apresentam queda expressiva. Até a 18ª semana de 2026 (segunda de maio), foram contabilizados 311 casos positivos de dengue, enquanto no mesmo período do ano passado foram registradas 11.345 notificações – diminuição de 97,2%. Em maio do ano passado, o Grande ABC tinha 11 óbitos pela doença.
Neste ano, os municípios com maior número de confirmações são Diadema, com 104 casos, seguida de Santo André, com 99; Mauá, com 55; São Bernardo, com 32; São Caetano, com 15; e Ribeirão Pires, com seis. Rio Grande da Serra ainda não possui casos confirmados. Além disso, outras 295 notificações seguem sob investigação.
Mesmo com a redução dos casos na região, o vírus continua em circulação, conforme explica a bióloga, parasitologista e presidente do Comitê de Contingenciamento, Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Alaide Mader Braga Vidal.
“No Grande ABC observa-se uma redução expressiva de casos em comparação com 2025, mas é necessário um trabalho contínuo de combate ao mosquito, especialmente nos períodos de chuva e calor.”
Para a parasitologista, a confirmação da primeira morte do ano preocupa porque demonstra que a doença segue oferecendo risco de agravamento. “A morte por dengue mostra que o vírus pode evoluir para formas mais graves em alguns pacientes. Muitas vezes também pode haver atraso no atendimento e dificuldade de identificação de casos mais graves em pessoas mais vulneráveis.”
Sobre a redução expressiva de casos neste ano, a especialista avalia que o resultado é consequência de uma combinação de fatores, como aumento das ações de combate ao mosquito vetor da dengue, a vacinação, que começou em 2024, e também a maior conscientização da população.
Entre os principais sintomas da dengue estão febre alta, dores no corpo e atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, enjoo e cansaço. Já os sinais de alerta para casos graves incluem dor abdominal intensa, vômitos frequentes, sangramentos, dificuldade para respirar, tontura e sensação de desmaio.
“Todo indivíduo que apresenta febre de 39 a 40 graus, de início repentino, e pelo menos duas manifestações como dor de cabeça, dores musculares, dores articulares, prostração e dor atrás dos olhos deve procurar imediatamente o serviço de saúde”, alertou a especialista.
Alaide reforçou que a participação da população é fundamental para conter a proliferação do mosquito transmissor da dengue. “A maior parte dos criadouros do mosquito está dentro das casas e condomínios. Basta 10 minutos, uma vez por semana, para vistoriar a residência e eliminar água parada. O combate à dengue só funciona de forma coletiva.”
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