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Primeira Casa de Passagem da região faz acolhimento emergencial de 51 mulheres

Equipamento inaugurado há 14 meses no município são-bernardense recebe vítimas fora do horário comercial antes de irem ao abrigo

09/05/2026 | 08:00
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Divulgação/PMSBC
Divulgação/PMSBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Desde a inauguração, em 8 de março de 2025, a Casa de Passagem Enfermeira Vanessa de Cássia Fontes, em São Bernardo, acolheu 51 mulheres em situação de violência doméstica, além de 46 acompanhantes, entre filhos e dependentes. Instalado ao lado do Hospital da Mulher, no bairro Nova Petrópolis, o espaço oferece acolhimento emergencial e temporário para vítimas em situação de risco e é o primeiro do tipo no Grande ABC.

A Casa de Passagem é voltada para vítimas de violência que acionam a Polícia Militar e a GCM (Guarda Civil Municipal) fora do horário comercial, após as 18h, aos fins de semana e feriados, e não possuem lugar seguro para ficar, conforme explica a secretária da Mulher de São Bernardo, Sandra do Leite. “Se essa mulher fizer um boletim de ocorrência, a medida protetiva só vai sair depois e como ela vai voltar para casa e dormir com o agressor? Ele a mata ou a convence a retirar a denúncia. Ela precisa de um ambiente seguro enquanto aguarda e lá tem cama quentinha, comida e pode levar os filhos de até 17 anos”, ressalta. 

DGABC

A vítima pode aguardar provisoriamente no equipamento até sua medida protetiva ser expedida, quando a Guardiã Maria da Penha comunica o agressor que ele precisa deixar a residência. “A mulher volta em segurança, mas, se não tiver nenhuma rede proteção e estiver com medo de voltar para casa, por achar que ele não vai respeitar e o risco de morte é muito alto, é sugerida a possibilidade dela ir para um abrigo secreto. Ela fica lá por seis meses, até que o agressor seja preso ou até reconstruir a própria vida”, explica a secretária. 

Após o acolhimento inicial, as vítimas são acompanhadas pelo CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) e por toda a rede de proteção do município. As vítimas recebem orientação e acompanhamento especializado, podem ter um auxílio aluguel, fazer cursos de empreendedorismo e todo suporte para recomeçar. 

Sandra destaca a importância de levar informações para as mulheres reconhecerem a violência e encorajá-las a buscar ajuda. “Elas não rompem o ciclo de agressão por medo. A mulher nessa situação tem medo e vergonha de denunciar. Quantas vezes as vítimas colocam som alto para os vizinhos não escutarem as brigas? Por isso, precisamos criar formas de facilitar o acesso, como o ônibus itinerante da secretaria, que vai até elas”, afirma. 

GRANDE ABC

A região possui, desde 2003, o Programa Casa Abrigo Regional Grande ABC, mantido pelo Consórcio Intermunicipal. São duas unidades, com endereços sigilosos, que acolhem por até seis meses vítimas sob risco iminente de morte e também seus filhos e dependentes menores de 18 anos. No momento, há 41 mulheres e 59 crianças abrigadas. No ano passado, foram acolhidas 68 vítimas e 82 filhos e filhas. O ingresso ocorre por encaminhamento da delegacia ou do centro de referência dos municípios.

OCORRÊNCIAS

No primeiro trimestre deste ano, o Disque 100, canal de denúncias do governo federal, registrou 252 denúncias de violência contra mulher nas sete cidades, crescimento de 36,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 185 queixas. 

Nos três primeiros meses deste ano, o Grande ABC contabilizou cinco feminicídios e 11 tentativas de feminicídio, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública). Até a primeira semana deste mês, a região totaliza sete casos de feminicídio. 

A casa de passagem de São Bernardo homenageia a enfermeira Vanessa Cássia Fontes, assassinada aos 35 anos, em 2023, pelo ex-marido, Bruno Matos. Moradora do bairro Rudge Ramos, Vanessa era pós-graduada em Enfermagem Obstétrica e trabalhou no Complexo de Saúde do município são-bernardense.

Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180. Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190 ou procurar uma delegacia. No Grande ABC, cinco municípios contam com DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher), sendo em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá.

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