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Paciente com hantavírus na Suíça amplia alerta sobre cruzeiro

Surto ligado ao navio MV Hondius já deixou três mortos, colocou países em alerta e reacendeu preocupações sobre a rara variante Andes, capaz de transmissão entre humanos

Loik Marques
07/05/2026 | 14:05
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O governo da Suíça confirmou oficialmente, nesta quarta-feira (6), um caso de hantavírus em um paciente internado em Zurique. O homem havia retornado recentemente do cruzeiro MV Hondius, embarcação ligada a um surto da doença que já deixou três mortos e infectados em diferentes países.

O homem, que participou da viagem, está isolado no Hospital Universitário de Zurique após testar positivo para a variante Andes do hantavírus, considerada uma das formas mais raras e perigosas da doença. Segundo autoridades suíças, ele retornou ao país no fim de abril e procurou atendimento médico após apresentar sintomas. A esposa também entrou em isolamento preventivo, embora não tenha manifestado sinais da doença até o momento.

O caso chamou atenção por estar diretamente ligado ao surto ocorrido no MV Hondius, navio de expedição polar operado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions. A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, levando passageiros de diversos países em uma rota pela Antártida e Atlântico Sul.

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A investigação aponta que o primeiro passageiro infectado começou a apresentar sintomas ainda durante a viagem. Dias depois, ele morreu a bordo. Sua esposa, que também adoeceu, chegou a ser retirada do navio e levada à África do Sul, mas não resistiu. Um terceiro passageiro morreu posteriormente, enquanto outros casos suspeitos seguem sob monitoramento internacional.

O que mais preocupa autoridades sanitárias é o fato de o vírus identificado ser o Andes, uma cepa encontrada na América do Sul e considerada a única variante de hantavírus com capacidade comprovada de transmissão entre pessoas em situações de contato próximo e prolongado.

Até o momento, não existe confirmação definitiva de que a transmissão ocorreu dentro do navio. A principal hipótese é que os primeiros infectados tenham contraído o vírus ainda em território argentino, possivelmente durante uma atividade próxima a áreas com presença de roedores. No entanto, especialistas não descartam transmissão humana posterior dentro da embarcação, especialmente devido ao ambiente fechado e ao longo período de convivência entre passageiros.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o risco global permanece baixo. Ainda assim, diversos países iniciaram rastreamento de passageiros, tripulantes e contatos próximos do cruzeiro. Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Suíça e Reino Unido estão entre os países que monitoram possíveis casos relacionados ao navio.

O hantavírus é normalmente transmitido pelo contato com urina, saliva ou fezes de roedores infectados. Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares, fadiga e problemas gastrointestinais, podendo evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave. A taxa de mortalidade da variante Andes pode variar entre 30% e 50%, segundo especialistas e autoridades sanitárias internacionais.

Apesar da preocupação, virologistas afirmam que o cenário é muito diferente do observado em pandemias respiratórias como a Covid-19. A transmissão entre humanos do vírus Andes é considerada rara e exige contato muito próximo, o que reduz significativamente o potencial de disseminação em larga escala.

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