Observação Região registra 537 ocorrências em 12 meses ; hoje é o Dia Mundial de Combate à doença
Ao lado do pai, André, o jovem Breno Cremonini teve crises de falta de ar logo no nascimento FOTO: Denis Maciel/DGABC

As sete cidades do Grande ABC registraram média mensal de 45 internações por asma no ano passado. No total, foram 537 casos. Nesta terça-feira (5), é comemorado o Dia Mundial de Combate à Asma, celebrado em toda primeira terça-feira do mês de maio. A data é proposta pela Iniciativa Global pela Asma.
Em 2025, São Bernardo liderou as estatísticas com 179 registros médicos, seguido por Santo André, que contabilizou 116. Na sequência aparecem São Caetano, Mauá e Diadema, com 77, 74 e 67 casos, respectivamente. Fechando a lista, Ribeirão Pires computou 18 ocorrências, enquanto Rio Grande da Serra teve seis.
A asma é uma inflamação nos brônquios do pulmão, conforme explica a pneumologista e professora do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Mônica Lapa. “Trata-se de uma inflamação nas vias por onde o ar percorre até chegar aos pulmões. Ela pode ser provocada por diversos agentes, como poeira, alergias e exposição à poluição, que, quando entram em contato com o organismo, podem desencadear um processo inflamatório pulmonar”, descreve a especialista.
A doença pode se manifestar desde o nascimento, em razão de fatores genéticos, ou ser desenvolvida ao longo da vida. “Há um componente genético envolvido, mas isso não significa, necessariamente, que a pessoa terá a doença. No entanto, essa predisposição, aliada a determinados fatores ambientais, pode favorecer o seu desenvolvimento.”
Entre os sintomas da doença estão tosse persistente, falta de ar, dificuldade para realizar esforços, sensação de aperto no peito e chiado ao respirar. Também podem ocorrer crises asmáticas, caracterizadas pelo aumento da tosse e da produção de catarro, além da piora da respiração.
O estudante e morador de São Bernardo Breno Cremonini, 13 anos, foi diagnosticado com asma no começo da infância. O pai, André Cremonini, 45, conta que o filho ficou internado nos primeiros meses de vida, porém a asma não foi diagnosticada enquanto ele ainda era bebê. “Mas ali já era um sinal. Com uma crise de falta de ar bem mais forte, por volta dos 5 anos, descobrimos que tinha que ficar internado. Hoje, está bem mais controlado, mas até os 10 anos era um pouco mais tenso”, diz o analista financeiro.
“O Breno tem muita alergia a ácaro. Sempre ficamos atentos às roupas que estão muito tempo guardadas e pelo de animais”, acrescentou Cremonini. A família faz acompanhamento médico e, para emergência, utiliza uma bombinha (inalador portátil).
O jovem comenta que tinha dificuldade para acompanhar o ritmo de colegas em atividade física. “Continuo usando uma bombinha para controlar algumas crises, que acontecem quando fico nervoso ou quando não consigo acompanhar. Praticar futebol também me ajudou. Estou bem melhor, sem muitos problemas e até mesmo correndo mais”, destaca o estudante.
A pneumologista Mônica Lapa ressalta que o uso do salbutamol spray (broncodilatador de ação rápida) não é a única alternativa para o tratamento da asma. “As pessoas associam a asma ao uso do salbutamol, que tira o paciente da crise. Mas, o mais usado atualmente é uma medicação de corticoide inalado, que é uma bombinha anti-inflamatória, que vem junto do broncodilatador. Não é so usar o aparelho de resgate”, explica a médica. ESTATÍSTICAS Em 2024, o Grande ABC registrou 710 internações pela doença, ou seja, queda de 25% em relação ao ano passado. Apesar da diminuição, a médica generalista Ellen de Oliveira alerta que o número ainda é alto.
“Essa quantidade mostra que, apesar dos avanços no tratamento, a asma ainda representa carga importante para o sistema de saúde. O número registrado no Grande ABC indica que existem muitos pacientes com asma não controlada, o que reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento contínuo e da adesão ao tratamento.”
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