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Óbitos por síndrome respiratória dobram no período de outono e inverno

Mortes passam de 47 para 94; número de contaminações salta de 1.325 para 2.303

23/04/2026 | 07:00
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) dobraram entre abril e setembro de 2025, período de outono e inverno, em comparação com o primeiro (janeiro a março) e o quarto trimestres do ano (outubro a dezembro), que concentram as estações mais quentes, sendo primavera e verão. Os óbitos passaram de 47 para 94 (alta de 100%), enquanto os casos confirmados cresceram de 1.325 para 2.303 (aumento de 74%).

Os dados foram compilados pelo Diário com base no NIES (Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde), do governo de São Paulo. O Estado contabilizou 3.941 mortes por SRAG nos seis meses mais frios do ano (abril a setembro) e 2.342 no primeiro e quarto trimestres. Em relação as contaminações, foram 42.595 e 24.901, respectivamente. 

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O pico de ocorrências no Grande ABC ocorreu entre os dias 12 e 25 de maio, que somaram 301 casos e 26 mortes. Por isso, o pneumologista, professor e pesquisador da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Elie Fiss, destaca que o período de maior risco está por vir. “Além de os ambientes ficarem mais fechados no frio, facilitando a propagação dos vírus, nesta época do ano o ar fica muito seco, e a poluição aumenta, o que afeta o sistema respiratório e os mecanismos de defesa”, explica. 

A maior parte dos 2.303 casos contabilizados no período de outono e inverno afeta crianças de zero a nove anos, com 904 (39,2%). Em adultos, de 20 a 59 anos, foram 678 (29,5%) registros e em idosos, 561 (24,3%). Jovens de 10 a 19 anos representam a faixa etária menos impactada, que soma 160 (7%) notificações. Em relação ao gênero, a proporção é mais igualitária, com 1.206 (52,4%) ocorrências em mulheres e 1.097 (47,6%) em homens. 

A principal forma de prevenção é a vacinação, que varia entre 70% e 95% de eficácia, de acordo com Fiss. O médico ressalta que algumas medidas também podem ser adotadas para evitar a contaminação. “A hidratação é muito importante, assim como evitar áreas poluídas. A transmissão é feita de pessoa a pessoa, então lavar sempre as mãos é extremamente essencial”, aponta. 

Segundo o pneumologista, a influenza é o principal vírus responsável pelos casos de SRAG. Dados da Secretaria de Saúde do Estado revelam que a gripe foi responsável por aproximadamente 30% das ocorrências na região e a Covid-19, por 15%. Entretanto, em metade dos registros a causa não foi especificada, seja por ausência de investigação ou por estar associada a outras etiologias.

Entre os sintomas da síndrome respiratória, estão dificuldade para respirar, febre, diminuição do apetite, dores musculares, tosse intensa, arroxeamento de extremidades como a boca, dor no peito e confusão mental. 

CAMPANHAS

Para prevenir a disseminação dos vírus e diminuir a gravidade das doenças adquiridas, como influenza e Covid-19, que podem culminar no desenvolvimento da SRAG, os municípios intensificam as campanhas de vacinação. Todas as cidades do Grande ABC estão com a imunização ativa nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde)para o público prioritário, que inclui idosos, crianças, gestantes, puérperas, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde. 

São Bernardo informou que a vacinação está em curso nas 35 UBSs . O município também realiza trabalho de conscientização junto aos moradores por meio dos ACSs (Agentes Comunitários de Saúde). 

São Caetano iniciou a campanha de vacinação contra a gripe no dia 28 de março, com o Dia D. A aplicação das doses ocorre nas 14 UBSs e no Centro Municipal de Imunização. A Prefeitura tem divulgado a mobilização em seus canais oficiais para favorecer a adesão.

A Prefeitura de Diadema disse que, nas UBSs, é reforçado o monitoramento de pacientes com doenças respiratórias crônicas, como a asma. A rede também é reorganizada para ampliar a capacidade de atendimento e absorver o aumento da demanda sem sobrecarregar o sistema. Além disso, o município realiza ações educativas sobre higiene das mãos, etiqueta respiratória, ventilação de ambientes e uso de máscaras por pessoas com sintomas, especialmente em períodos de maior circulação de vírus.

Mauá ampliou a busca ativa por públicos prioritários para vacinação contra a influenza, com foco especial nas gestantes – um dos grupos mais vulneráveis às complicações da doença.




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