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Acidentes com motocicletas aumentam nas avenidas com Faixa Azul da região

Um ano após a implementação, ocorrências na Prestes Maia, em Santo André, e na Lions, em São Bernardo, aumentaram 33% e 25%, respectivamente

04/05/2026 | 07:00
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Há dois anos, o Grande ABC ganhou sua primeira Faixa Azul, na Avenida Prestes Maia, em Santo André, inaugurada em 1º de maio de 2024. São Bernardo, dez meses depois, em março de 2025, também implementou um corredor preferencial para motocicletas, na Avenida Lions. A exemplo da Capital, a medida foi uma estratégia adotada pelas cidades para mitigar os riscos de acidentes envolvendo motociclistas. Porém, houve efeito contrário e as ocorrências subiram.

No período anterior à implementação da faixa demarcada por linhas azuis na Avenida Prestes Maia, de maio de 2023 a abril de 2024, foram registrados 27 acidentes envolvendo motocicletas, sem ocorrência de mortes. Após 12 meses, o número subiu para 36 sinistros, aumento de 33,3%, com dois óbitos. Já entre maio de 2025 e abril de 2026 (dois anos da implementação da faixa), houve leve queda para 32 ocorrências (redução de 11,1%), embora o total de mortes tenha se mantido igual – dois.

Na Avenida Lions os acidentes saltaram de 35, sem óbito, para 44 (alta de 25,7%), com uma morte no intervalo de março de 2025 a fevereiro de 2026. Os dados são do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) e confirmam o estudo Impactos da Faixa Azul na Segurança Viária, que apontou a ineficácia da medida e constatou aumento dos sinistros nas avenidas da Capital. 

O coordenador de Segurança Viária da Vital Strategies, Dante Rosado, um dos pesquisadores do estudo, ressalta que a comparação dos dados das avenidas do Grande ABC apenas por períodos não determina por si só uma análise negativa. Seria necessário considerar outros fatores, como clima, mudanças no trânsito e ações na região. No levantamento na Capital também é feita a avaliação do comportamento em vias semelhantes que não receberam a sinalização. 

O especialista destaca que, com base na análise da Capital, onde realizaram um amplo estudo, a Faixa Azul pode dobrar o número de colisões fatais envolvendo motos em cruzamentos. Nos casos observados, houve aumento da velocidade média dos motociclistas de 58,3 km/h para 72,2 km/h.

“A Faixa Azul cria um corredor que dá uma falsa ideia de proteção. Ao mesmo tempo que melhora a visibilidade do motociclista perante os outros veículos, ela induz a velocidade excessiva, que diminui o tempo de reação em intercorrências próximas a cruzamentos, locais mais conflituosos. Da forma como foi impactada, os resultados do estudo são claros em colocar que esta não é uma medida de segurança no trânsito. O modelo atual depende muito do comportamento do condutor da moto”, explica Dante Rosado.

Esse tipo de sinalização ainda é recente e está em caráter experimental. Para o coordenador de Segurança Viária, trata-se de um desafio, já que existem poucos estudos tecnicamente robustos sobre sua efetividade. O projeto foi inicialmente implementado no Estado nas avenidas 23 de Maio e dos Bandeirantes, na Capital, e vem ganhando escala desde então. As sinalizações são autorizadas pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito).

Prefeituras concordam com estratégia

Santo André ampliou a implementação da Faixa Azul para além da Avenida Prestes Maia, estendendo a sinalização às avenidas Dom Jorge Marcos de Oliveira e José Antonio de Almeida Amazonas, ambas no ano passado. A Prefeitura, no entanto, não confirmou se pretende dar continuidade à estratégia ou adotar novas medidas.

“Serão protocolados relatórios de avaliação final das vias que possuem o modal junto à Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) conforme estabelecido pelo órgão, assim que forem consolidados”, esclareceu por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana. A Pasta destacou que as mortes constatadas na Avenida Prestes Maia não ocorreram dentro da área delimitada pela Faixa Azul.

São Bernardo também ressaltou que o óbito registrado decorreu de sinistro fora do corredor exclusivo. A gestão municipal apresentou um recorte dos acidentes na Avenida Lions diferente do divulgado pelo Detran-SP e os períodos comparados são ambos após o funcionamento da faixa. “De maio a setembro de 2025 foram registrados 33 sinistros envolvendo motocicletas, com 23 feridos. De outubro de 2025 a março de 2026, houve redução para 19 acidentes e 16 vítimas, evidenciando queda no número de ocorrências”, afirmou. 

Diante da avaliação positiva dos resultados pela gestão, o objetivo é ampliar a Faixa Azul para as avenidas Robert Kennedy e Engenheiro Otávio Manente. Atualmente, além da Lions, o município possui a sinalização na Avenida 31 de Março, implementada em maio de 2025. 

DGABC




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