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Zoo de SP tem funcionário que dá água a baratas e faz parto de grilos

Insetos são necessários para a alimentação de alguns animais do parque

01/05/2026 | 13:06
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No Dia do Trabalhador, comemorado em 1° de maio, uma atividade fora do radar do público revela bastidores curiosos do Zoológico de São Paulo. Em um setor distante da visitação, profissionais se dedicam a tarefas incomuns, como dar água a baratas e acompanhar o nascimento de grilos, etapa por etapa, como em um parto manual.

A cena causa estranhamento, mas integra a engrenagem que sustenta o funcionamento do parque, o qual abriga cerca de 2.500 animais de quase 300 espécies. Parte desse grupo depende de insetos como base da alimentação. Para garantir oferta regular e segura, o zoológico mantém um biotério voltado à produção de baratas, grilos e moscas.

No espaço, os técnicos - biólogos, zootecnistas e tratadores - seguem uma rotina rigorosa: o trabalho inclui controle da alimentação, da hidratação e da reprodução dos insetos, além da limpeza constante dos recipientes. Entre as tarefas, ações pouco usuais chamam a atenção. Dar água a baratas faz parte do processo que assegura o desenvolvimento dos insetos que alimentam anfíbios, como sapos, rãs e axolotes.

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Uma das etapas mais curiosas ocorre na reprodução dos grilos. Para estimular a postura, a equipe utiliza algodão úmido dentro das caixas. Após alguns dias, o material é transferido para outro recipiente. Quando os ovos eclodem, começa um trabalho minucioso. Os filhotes são retirados, um a um, do algodão, em procedimento que os próprios tratadores comparam a um parto.

“Eu gosto muito de trabalhar aqui, porque o biotério não é um setor isolado, ele é um dos mais importantes do zoológico, produzindo alimentação para uma grande quantidade de animais. De certa forma, a gente alimenta o zoológico, e é muito legal participar desse processo”, conta Guilherme Carone, tratador do biotério do Zoológico de São Paulo

“Eu conto para os meus amigos o que eu faço aqui, e ninguém entende muito bem, mas eu trabalho com cinco tipos de baratas, algumas tão grandes que o pessoal até se assusta”, brinca o tratador.

Além de compor a dieta de anfíbios e répteis, os insetos também têm outra função: integram ações de enriquecimento ambiental, estratégia voltada ao bem-estar animal. A prática estimula comportamentos naturais, a cognição e a movimentação.

Entre os beneficiados estão primatas, como chimpanzés, mico-leão-dourado e sauim-de-coleira, além de tamanduás e aves. Nesses casos, os insetos funcionam como desafio ou recompensa, o que amplia as possibilidades de interação com o ambiente.

Responsável pela nutrição do zoológico, o zootecnista Lucas Carneiro destaca que “o biotério tem papel decisivo na conservação de espécies ameaçadas. A produção interna garante segurança alimentar e viabiliza a manutenção de animais com dietas específicas”.

É o caso da perereca-de-Alcatraz, espécie ameaçada de extinção que se alimenta de grilos em estágio inicial. Sem a estrutura do biotério, afirma, não seria possível manter o trabalho.

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